quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Face: luz e cena

...Ha um consenso entre iluminadores, quase que como esquemas pré-estabelecidos, bailarinos devem ser iluminados por focos laterais para ressaltar o aspecto escultural dos corpos, descrever os movimentos nas dimensões de comprimento e profundidade.
De fato, a iluminação lateral proporciona tudo isso, mas ela é uma possibilidade e não uma receita.
A luz tem se aproximado cada vez mais de Face, e Face tem se construído a partir da relação com a luz, como diz Roberto Camargo "luz e cena podem ser entendidos como processos de comunicação c0-evolutivos".
Desde o momento em que a iluminação cênica entrou para ambientes fechados carregou consigo uma visão externalista, ou seja, era entendida como um elemento separado, como algo fora do processo de comunicação. Esse pensamento se fortificou no movimento naturalista, que passou a utilizar a iluminação a partir de uma concepção pictórica; como se a cena fosse um quadro ou imagem representativa da realidade e desta forma a luz obedecia as determinações da cena.
Com o passar do tempo novas possibilidades de se pensar a luz emergiram do ambiente, e é no movimento simbolista que a iluminação cênica passa a ser entendida como parte integrante da cena capaz de inventar continuamente e reciprocamente o espaço, construindo novas espacialidades, diminuindo assim o aspecto pictórico através da busca de uma luz mais viva para uma cena viva, percebendo-se que a luz trocava informações com a cena dialogando com ela no momento mesmo da performace.
É a partir desse pensamento que a cena de Face vem sendo construída, do dialogo entre corpo e luz e das possíveis possibilidades que possam emergir dessa relação . Criando assim novas espacialidades para que o publico possa observar corpo, movimento e situações de diferentes ângulos.



REFERÊNCIA:

CAMARGO, Roberto Gil. Luz e Cena: processos de comunicação co-evolutivos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sobre Tramas e Tramóias



Comecei a perceber nos últimos momentos que era a hora de olhar para os rastros do caminho e fazer o exercício da reflexão, perceber tudo que já estava, que já é, o que tenho construido até aqui e assim poder dar encaminhamentos e finalizar alguns processos.


É necessário compreender que dentro da pesquisa etapas se finalizam, se tranformam em outras possibilidades de caminhos. Neste momento a criação se bifurca em dois processos que mesmo autônomos se complementam, fomando redes de troca. O exercício é tentar separar as funções, mesmo entendendo que os caminhos ainda se cruzam.


Comecei pesquisando o que me interessava dentro do trabalho á existente intitulado "embolação", a idéia era que fosse um estudo de caso, porém tudo foi se reconfigurando e ganhando outras possibilidades de existir. Escolhi então, com o auxilio de orientação a buscar dentro dessa proposta artistica uma questão que eu acreditava ainda necessitar de um processo de verticalização. Hoje alguns rastros ficam mais claros, lembro de escolher como objeto de investigação a "amarelinha", que em muito me interessava, mas eu não sabia ainda bem o por quê.


Era um momento simples dentro do trabalho, existiam muitos outros que a primeira vista pareciam mais interessantes para um aprofundamento, porém refletindo agora, consigo perceber que, talvez o que tenha chamado a atenção era a questão que se verificava com as crianças quando passavam pelo jogo. A amarelinha que ja era lugar comum, instituido com um fim ja conhecido e reconhecido por todos, que as vezes estimulava e outras vezes não. O que mobilizou a investigação foi a possibilidade de encontrar outras formas de complexificação do jogo, do espaço que poderia ser ressignificado, reinventar seus modos de existência na memória coletiva. Muitos corpos não se motivavam com a proposta do jeito que se apresentava.


Foi importante verificar e isso só consigue ser perceptível agora, o jogo cresceu, se desenvolveu, se complexificou, foi pra muitos lugares, sensações,construindo outros espaços e organizando um corpo preparado para estar, pronto para a vida, para tocar o mundo em outras versões, para estar na rua de um jeito nunca antes percebido.


Seguiu-se em frente, foram surgindo outras possibilidades, imagens que eram construídas durante a movimentação e investigação, surgiram animais, galinha, macaco, uma questão do corpo articulado, do pescoço que se move para caminhada poder acontecer, algo conectado, será que ela andaria se segurassem o seu pescoço? Talvez! Será que, se a cabeça não se organizasse com aquele movimento a galinha conseguiria mover outras partes? Questões que surgem no caminho. Seguindo além, vieram histórias, as pessoas contam suas histórias de infãncia, lembranças, relação com os modos de como brincavam, tudo foi sendo registrado pelos ouvindos, em cursos para professores, na secretaria de educação, em paranaguá, pessoas de diferentes idades que começavam a se lembrar de suas memórias, o que muito movia a criação, então segui em busca da construção que poderia ser elaborada a partir dessas memórias, que movimentos essas falas teriam, que corpo ocupariam e uma pergunta sempre batia no corpo, "e a linha?".


A linha da amarelinha começou a chamar atenção, como era focada a questão da linha dentro da pesquisa, o que ela significava, como alterava o espaço? Comecei a desconstruir o espaço tradicional da amarelinha, e o que ficava de tuda essa relação espacial tradicional, após todas as experimentações era a linha que ainda me movia, então achei que o trabalho tinha essa relação que se dava na direção da e com a linha. Linha da vida, dos desenhos no espaço, do traço da criança, do contorno e como a linha se relacionava com tudo no trabalho.


Comecei a acreditar que o nome do trabalho tinha que ter relação com a linha, busquei coisas como "AMAR é Linha" mas em nada se relacionava com o tipo de pensamento que se ordenava dentro do trabalho, foi então que surgiu a palavra "trama" tentei comê-la antropofagicamente e no dicionário construia sentidos, possuia forte relação com os fios do tecido que constróem uma rede, fios que se cruzam, tecido, textura, astúcia, enredo, conspiração, maquinação e tramóia, a relação com as histórias, linha do tempo, infância, fio da urdidura, que formam tecidos, teias, trama ou tramóia e as coisas começaram a fazer mais sentido, as pontas começaram a se encontrar, pontas dos fios se conectando e dando sentidos as idéias.


Acredito que a pesquisa está nessa lugar de reconfiguração cênica, na organização de uma dramaturgia que ja existe, mas que se lapida com cuidado. Estou TRAMANDO coisas!



Clayton Leme - Pesquisador 4 ano - Dança

Evolução


Foi muito gratificante participar da mostra com a apresentação prática dos artigos, pois vê-se a evolução de todos em relação aos seus trabalhos.
Para mim, poder mostrar os estudos e as relações envolvidas na dança de salão e perceber que os meus colegas compreendem melhor a cada vez que apresento é muito importante.
Apesar desse quarto ano ter divergências de pensamento e linguagens na dança, sinto que os trabalhos estão sendo bem aceitos e respeitados. Assim como quero abrir o campo de visão dos meus colegas para compreenderem outros tipos de dança, eles abrem o meu me mostrando coisas que eu nunca teria pensado em pesquisar.
Porém acho que ainda falta definir mais a parte artística e expressiva dos trabalhos, pensar no comprometimento com o público que assiste, no que para ele seria importante conhecer a sua pesquisa, porque este nem sempre vai em busca só do científico mesmo sabendo que se trata de trabalhos acadêmicos.

Mariana Reis

Informações inconscientes.....


....caminhamos, corremos... são inúmeros músculos agindo sincronicamente. Se pretendêssemos conscientemente movimentar cada um desses músculos ao correr, por exemplo, imediatamente cairíamos. Respiramos, e, poucas pessoas sabem com exatidão quais músculos externos e internos deveriam mover. Quem é capaz de movimentar conscientemente cada músculo da língua, dos lábios, do pescoço, dos pulmões, do peito... que intervém na fala? Mesmo sem estarmos conscientes desses movimentos, eles acompanham nossos corpos em todas as atividades.
Para Ferraz (1999), a consciência do corpo passa a se fixar na energia, nas articulações, apenas nos movimentos, não tendo envolvimento com as emoções ou pelas imagens de uma narrativa, desvencilhado, portanto a normal situação em que a consciência governa e embasa a consciência do corpo. Para que a consciência do corpo emerja é necessário descentrar a consciência, fazer com que esta perca seus pontos de referência e partida habituais. Este ponto é apenas dos tantos relevantes, levando em consideração que o ato da consciência é a sua expressão e que não é só o ato de consciência que provoca a "mímica" externa, mas também dá-se o inverso: a "mímica", o gesto, a atitude, etc. tendem a provocar a idéia, a imagem, o sentimento... Ou melhor, provoca-os no inconsciente e daí tende a surgir no consciente e vice e versa caracterizando fases cíclicas destas trocas de informações.
Vemos então de que modo José Gil produz um conceito de “inconsciente” “desumanizado” e, por assim dizer, “exterior”, um conceito de inconsciente além do humano, além da hierarquia do organismo e do encontro do interior/exterior. E isso em vários sentidos: como inconsciente não mais remetido a subjetividade banal, mas como um inconsciente revertido sobre a pele, interface interior-exterior, espaço contínuo de fluxo de energias libertadas.

O que emerge desta questão é um pensamento muito fértil e potente sobre o corpo, sobre o movimento, a dança, a arte, capaz de fertilizar e muito os horizontes em relação a este corpo.

Referencias
FERRAZ, Maria. Percepção, subjetividade e corpo: do século XIX ao XXI, 1999.
GIL, José. Movimento total – o corpo e a dança. Lisboa: Relógio D’Água, 2001.

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Rafaela Bolinelli Goede

Aspectos SOB um OLHAR




"SOB" um OLHAR

Imagem gerada por um corpo estendido.

Relações que constroem um conceito de imagem gerada a partir de extensões corporais. Entretanto, tais relações apenas se tornam plausíveis na instancia da co-existência.

Extensões corporais que dialogam entre si e se entrecruzam:

Patins – promotor de possibilidades de movimento;
Espaço – alteração câmera/corpórea;
Mídia – direcionamento do olhar [espectador].

É importante ressaltar que as relações se alteram na medida em que se entrecruzam, gerando possibilidades que só se fazem presentes sob o aspecto desta relação. Cada vez que se olha para essa tríade, novas opções artísticas surgem, talvez essa pesquisa não tenha um produto artístico final (pelo menos por agora), o que faz meu interesse aumentar ainda mais pela pesquisa....

Os Patins, enquanto signos carregam fortes laços com a significação da patinação artística, embora essa linguagem não seja abandonada por completa, seus reais valores se modificam (e estes sim são deixados de lado), está se investigando as possíveis relações deste elemento/objeto que se confunde com o próprio corpo, pois não está como algo ‘a mais’ em um corpo que dança, mas sim uma coisa só, uma extensão corporal, que alonga, que faz parte do todo. Alteram-se os modos de olhar, com o auxilio da mídia (a câmera, a computação digital) que tira o olhar do espectador enquanto observador, aquele que só assiste de fora, e o trás ‘sob’ aspectos de um novo olhar, desta vez, direcionado. O espaço está intrinsecamente em co-relação com o corpo e o patins, uma vez que extrai a dança do lugar espetáculo e os patins do show de patinação para o ‘urbano privado’, a coexistência (conjunta) desses três elementos sugerem sensações ao espectador, que sai do bi para o tridimensional.
Jéssica Gardolin

Quando e porque mostrar?

Essa pergunta tem insistido um pouco em minha cabeça esses últimos tempos, principalmente depois da Amostra de Dança da FAP. Indagações do tipo: "por que faço isso?", "o que me motiva?", "pra quê?", "será que é interessante?", "será que devo expô-lo ao mundo", "qual a relevância desse trabalho?". Questionamentos que ficaram mais latentes com a Amostra.
Entendo que o evento é para discutirmos e analisarmos pensamentos referentes a dança e seus procedimentos. Entendo que hoje em dia dentro de nossa faculdade há preocupação e interesse em direcioná-la ao universo científico-acadêmico. Mas minha inquietação é: E A ARTE DA DANÇA? E A EXPRESSIVIDADE DA DANÇA? E A COMUNICABILIDADE DA DANÇA? E A SENSILIZAÇÃO DA DANÇA? Não sei, posso estar sendo antigo, ultrapassado, antiguado, mas sinto falta dessa preocupação, dessa discussão, desse norte; e penso: será que com essa história de científico não estamos correndo o risco de perder a arte, nos tornando frios, calculistas, tecnicistas, intelectualóides? Não confundam o meu discurso. Não estou dizendo que não devemos racionalizar, ou intelectualizar, ou concientizar a dança, mas que não devemos deixar de atentar que dança é arte, e é abstrata, e faz parte das ciências humanas, e não é algo concreto como uma ciência exata fria. Poderia estar falando do meu processo e tal, mas me parece irrelevante a que realmente importa. A DANÇA!
Ps. não é nenhuma crítica ao trabalho dos meus colegas de curso e profissão. É apenas um parecer, uma opinião, no que concerne a forma de articulação de conhecimento da nossa faculdade.




Heleno Moura

domingo, 27 de setembro de 2009

Falas de Corpo, Som e Movimento!

Relação dessas diferentes linguagens dentro de uma percepção de corpo como instrumento!Partindo do diálogo entre esse corpo, o som e o movimento que ele proporciona.Articulando jogos que vem através da improvisação e da escuta corporal dentro de um grupo de quatro pessoas.
O processo de pesquisa se objetiva a mostrar a relação entre a escuta do som que gera uma motivação, promove uma escuta do corpo e o desenvolvimento dessa relação estímulo/ação. A pesquisa aponta o jogo entre corpo, som e movimento que se demonstra nessa experiência e provoca a comunicação entre estes dois estímulos.
Nesses últimos mêses de estudos e experiências para a etapa final...O fechamento da célula se forma e ganha vida nesses ultimos dias!!!
E o processo continua...agora no como costurar tudo que tenho e partir para uma finalização objetiva do meu tema principal!?!

Greyce Lucca Aita

sábado, 19 de setembro de 2009

A dinâmica das oposições

A reflexão sobre a dinâmica das oposições, um dos princípios propostos por Eugenio Barba (1995), a qual pode colaborar na elaboração da presença cênica tornou-se minha proposta de pesquisa. Sempre presente nos movimentos cotidianos, quando usada conscientemente pelo artista, a oposição dilata seus espaços articulares dando outra conformação ao entendimento do corpo. Expandindo e projetando voluntariamente sua expressividade, o estudo das oposições transporta o corpo a mais uma maneira de compor processos criativos, descortinando-se em um universo de relações e possibilidades de estruturação de uma dança que pode estar onde menos se espera. Qualidades intrínsecas contidas no movimento, perdidas pela displicência ou desconhecimento de um potencial que, numa forma consciente de abordagem, aflora e seduz agora não mais apenas o espectador, mas o seu interprete, de maneira profunda e sensível, é o momento onde se dá o entendimento e a compreensão de um olhar único e indizível do artista do corpo.

Regina Kotaka

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Questionamentos de um processo (?) de pesquisa... Crise de identidade!



Algumas angústias se fortalecem ainda mais nestes últimos momentos de um curso de bacharelado em dança.
Mesmo estando eu, pesquisando (o que é pesquisa mesmo??) algo de meu maior interesse, com o que trabalho já a tempos, que parece ser um campo seguro (não previsível, mas de domínio), por que encontramos tantas dificuldades em discorrer sobre determinadas experiências? Será que eu não dou conta??
É possível que as relações que estou tentando estabelecer não estejam acontecendo e que a pesquisa não se configure??
O que caracteriza um trabalho coreográfico baseado em um processo de pesquisa de conclusão de curso, ou o que o difere de outro sem esse embasamento todo?
Onde está o começo desta pesquisa (ou, qual o “estado anterior”, segundo GREINER) já que alguns questionamentos me acompanham a mais tempo e quando isso se conclui se é um processo? E se eu não chegar a nenhuma conclusão diferente de onde parti??
Como alterar realmente meus padrões, se já estou acostumado com eles?
“Existe um padrão no ato de criar??” (Helena Bastos)
Sinto-me como se tivesse que encarnar outra pessoa para olhar e falar do meu trabalho. Não tenho problemas em apontar minhas metodologias ou lógicas de organização, mas me perco ao ter que analisar alguns elementos, pois teria que escolher um ponto de vista. Talvez fosse mais fácil se eu não conhecesse outras possibilidades...

Uma das primeiras perguntas de minha orientadora, para a qual eu continuo sem resposta: “Que tipo de artista eu quero ser?”
Definitivamente, este trabalho pode ser considerado como a conclusão de um curso ou de uma disciplina, mas não de um estudo, muito menos definir que profissional eu sou, pois são os caminhos que delineiam uma pesquisa.
“Os sistemas em evolução apegam-se a estabilidade em seus esforços em permanecer”. (VIEIRA 2006) – Isso significa que nem tudo esta perdido?? Eu sou um sistema em evolução??

Só pra constar: O que hoje é atual e contemporâneo, passará a ser folclore em uma época futura. - Que venha outro pesquisar sobre essas complexidades!

Luis Gustavo Guarize

terça-feira, 15 de setembro de 2009

...lendo, dançando, escrevendo, filmando...

bruna spoladore disse:
Olá!
Bom, continuando a pesquisa, gostaria de compartilhar muias informações que estão me atravessando, de passagem por mim e que estou muito atenta a realmente quais permanecerão; ter duas orientadoras, uma da FAP e uma do programa da Casa Hoffmann realmente está sendo enriquecedor pelos olhares e ao mesmo tempo difícil pelo mesmo motivo,que acre um leque de possibilidades e escolhas.
Andei lendo outros textos sobre imagem, um deles é o livro da Cia de teatro Obragem e que tem uma relação muito forte com imagens durante todo o seu processo de criação e o outro é o livro "Num piscar de olhos" de Walter Murch pelo qual me apaixonei! Ele compara o processo de piscar os olhos com as edições de filmes, e afirma que esse processo tão natural de piscar talvez esteja associado ao pensamento, quase como pontos finais de nossos pensamentos, estou pensando algo, concluo, pisco, ou pisco e mudo meu pensamento para outra direção. Por causa de todas essas leituras meu trabalho está muito voltado para o olhar de passagem e me pego muitas vezes lembrando do trabalho da Aline, que também fala sobre esse observar e ser observado e sobre esse olhar mais tridimensional.
Criei um blog no qual coloquei experimentos mais antigos e a mostra pública da Hoffmann, quem tiver interesse em OLHAR o endereço é: http://www.dancaempassagem.blogspot.com/
bom, é isto, no mais estou ansiosa para a mostra!
vamo que vamo, agora já tá no fim!
Bruna.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Desvio

Desvio apresenta um diálogo entre teoria e prática. Trás alguns conceitos que indicam pistas para discutir o corpo - ação, reorganização, mapeamento e fluxo de movimento. A pesquisa propõe modos diferenciados de investigar o estudo do movimento no corpo, propondo um entendimento de como perceber e reorganizar o corpo através das ações de ir e vir. Que tem como problematização desse ir e vir no espaço, a ação de desviar, que aparece como uma tomada de decisão, decisão de modificar, que é entendida aqui como um modo escolhido para gerar uma imprevisibilidade/instabilidade nesse corpo que está em movimento constante, e perceber/identificar como esse corpo lida com esse imprevisto. O que esse corpo acessa para se reorganizar? Para desviar eu saio de uma trajetória. E para voltar pra essa trajetória? O que mobiliza essa volta?

Isabela Schwab.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Olá Galera!!!

Peter Abudi Falando, pois é, estamos quase em Reta Final não é!!! qui medo e que delicia. Termos esse espaço aqui para poder dividir os nosso medos, erros e acertos.
A Mostra da FAP esta ai e a Configuração do meu trabalho Prático está meio encalhada rsrsrs pra variar, mais não é que lendo uns textos ai que o Prof Giancarlo passou encontrei isso e vem de encontro com a minha pratica de DANÇAR!!!! é um pouco disso que quero dividir aqui com vocês esses MEDOS/VONTADES que quero colocar no Mundo.
Nos falamos...

O Cego, O Corpo, O Movimento.

Mais do que palavras, mais do que a Comunicação escrita, muito mais do que gestos, meu corpo fala... deixo-o falar, afinal ele tem muito a me dizer e a me ensinar... Ele é uma ponte de comunicação entre mim e o mundo, as pessoas... Deixo a minha imaginação tomar conta de mim, meus pensamentos já estão longe demais para que eu possa alcança-los... Sou tomada por sentimentos diversos, tudo vêm à tona no momento em que estou dançando... Sinto-me parte de tudo, tenho consciência do meu corpo, do espaço, do que estou transmitindo àqueles que me assistem... Exploro o espaço e encontro milhões de possibilidades até então desconhecidas por mim... "FALO" sem medo, "FALO" tudo o que tenho Vontade, me sinto leve e despreocupada. Encontro nos "erros" outras maneiras e possibilidades - possibilidade de sentir o mundo. A música, o tempo físico, os meus pontos de referência me dão a consciência do espaço em que me encontro... Sim, porque em determinados momentos ele não existe mais, não existe por instantes talvez longos demais para quem assiste, porque eu estou além de todas essas coisas perceptiveis... Minhas lembranças se fazem presente pela memória cinestésica, porque "sinto" as coisas tocando em mim... Por alguns momentos rimos, rimos de nós mesmos e, com o riso construimos mais e mais movimentos... Tudo se torna infinito, tudo se pode quando se quer e principalmente, se gosta.


Juliana Grando Peixoto
2003


É isso ai!!! nessa escrita que encontrei posso ver um pouco mais as minha sensações também e assim Dançar um pouco mais o que sinto... esse texto é da tese de Magda Bellini " A Comunicação do Corpo A Partir da Não Visualidade: um estudo teórico Prático".

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

"...Não tenho arma,mas posso cuspir"

"Até trinta polegadas do meu nariz,
Estende-se a fronteira da minha Pessoa,
E todo o ar vazio neste espaço
É um pago, ou domínio privado.
Estranho, a não ser com olhos que convidem ao amor,
Convoco-o a confraternizar,
Tenha cuidado para não atravessa-lo rudemente:
Não tenho arma, mas posso cuspir"
W.H. Auden
"Prologue: The Birth of architecture"



- UM DOS MATERIAIS QUE ADENTRAM A PESQUISA "QUANDO AS BOLHAS SE ENCONTRAM".
ALGO COMO INSPIRAÇÃO, E QUE DEPOIS DE UM TEMPO EM UMA DAS GAVETINHAS DA PESQUISA, RETOMA HOJE DE MANEIRA IMPORTANTE.

Loana Campos
Setembro 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Perda?

A perda não existe, existe apenas a sensação de perda. Porque é que não há perda? Porque nada se perde, tudo se transforma. A dor que essa sensação de perda causa é quase intolerável, julgamos nós na altura, mas tudo se supera, tudo.
O que acontece é que aqueles que amamos, nunca morrem, eles vão apenas para outro plano, transformam-se noutra matéria, uns tempos antes de nós. A morte não existe, é mais uma ilusão nossa, dos que estamos aqui “encravados” na Terra.
Será que já pensamos que, quando nascemos há quem fique, lá do outro lado dos Véus, a chorar por nós?
Há várias civilizações que comemoram as partidas, porque sabem que, para além de ser uma libertação, mais tarde, irão encontrar novamente os entes queridos.

A saudade…
Como lidar com a saudade? Poucas são a línguas que têm esta palavra, como sabemos, isto é um sentimento muito lusitano, porque será a saudade tão nossa?
A base destruidora de quase tudo e também da saudade talvez seja o medo, o medo do amanhã que conduz ao apego, que por sua vez, conduz ao sofrimento. Se analisarmos isto a fundo, percebemos que é realmente verdade. Se fossemos livres de apegos, não sofreríamos tanto.
Há quem pergunte como se pode amar sem apego. A resposta é teoricamente simples: respeitando a liberdade de cada um; dos filhos, dos companheiros, mas acima de tudo a nossa própria. A conquista da nossa liberdade deveria ser a primeira de todas as prioridades, porque no momento em que criamos laços de dependência, cavamos a nossa “sepultura”.

Há também quem confunda Amor incondicional com amor de pais, por exemplo, mas se o filho decide optar por um caminho diferente daquele que os pais idealizaram, lá se vai o amor incondicional. “Ah, mas eu como mãe/pai é que sei o que é melhor para eles!” Errado! Quanto muito pode dar conselhos, sábios conselhos, mais do que isso é puro desrespeito. “Pois, mas eu sei que eles vão bater com a cabeça na parede!” É possível sim, e custa assistir a isto impávidos, mas tem que ser. O que podemos é abrir os braços e curar as feridas quando eles voltarem magoados… Isto é talvez uma forma de Amor Incondicional.

Se mantivermos em mente que a vida na Terra é apenas uma passagem, muita da nossa dor desaparece…
Como escola que é este planeta, deveríamos agir como agimos noutra escola qualquer: vamos lá adquirir conhecimento, mas deveríamos dar menos importância ao que lá se passa, porque no fim do dia, vamos voltar para Casa!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fazendo relações

















Pensar hoje em Dança é mais do que pensar em arte ou em movimento, mas em tudo que se relaciona com ela.
Por que espiral? Por que dança clássica? Por que técnica?
Acredito que tudo se relaciona por si só. A técnica da dança clássica exige um pouco mais de tudo que já é, seja esforço fisico ou mental. A espiral já está ali, sempre esteve, pensar que todas as partes do corpo estão ligadas uma a outra através de conexões e do fluxo em ação é o ponto de partida para tornar visivel um movimento qualquer espiralado em um passo da técnica do Ballet Clássico. E é interessante também como diferentes corpos representam de diferentes formas essa transição do MICRO para o MACRO, da DESCONSTRUÇÃO para a FORMA e como o corpo se modifica nesse processo, no contado fisico, ou visual, ou até mesmo o INDIVIDUAL, o olhar para si mesmo.


FLUXO CONTÍNUO INTEGRAÇÃO DAS PARTES

CONEXÃO TRIDIMENSIONALIDADE

ESPIRAL CORPO BALLET CLÁSSICO

TÉCNICA DANÇA

Ester Dezan

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Quando as bolhas se encontram"

...Onde as bolhas se encontram hoje?





"Assim como não há organismo sem ambiente, dificilmente há ambiente sem nenhum organismo. O ponto chave é que os seres vivos e seus ambientes se situam em relação, uns com os outros, através de suas especificidades mútuas ou de uma relação de co-determinação"(GREINER,2005:44)





Ao vivenciar o ambiente ônibus diariamente, surge uma necessidade de discutir essa relação do comportamento dos corpos nesse ambiente, composto por pessoas que carregam em sua rotina a realidade de se deslocar no ônibus, Como o corpo opera quando esta nesse ambiente e como se da a negociação junto a outros corpos compartilhando um mesmo espaço, é por onde a pesquisa tem estado.
Partindo de um inventário onde foram levantadas as propriedades corporais, sendo essas, resultado da observação pratico teórica do corpo que pega e está no ônibus. É resolvido escolher três delas para experimentar e formular no corpo essas questões que surgem do ambiente ônibus: Quando a base de suporte entende-se que o espaço do ônibus possui uma característica que altera a organização do corpo para com sua base de suporte. Além do corpo se deslocar dentro do ônibus, o próprio ônibus se desloca no espaço, alterando sua relação com a força de gravidade nesse espaço. Por esse motivo a situação passa a ser: mãos e pés como base de suporte, os dois precisam sempre estar como apoio, pelo menos uma mão e um pé, caso contrario há pouca chance de se manter na vertical. Quanto ao olhar aparece a falta de atenção ao espaço, um olhar que é dirigido ao ambiente externo (fora do ônibus), um olhar “vazio” – parece não estar, ou um olhar que foge ao ser percebido. A terceira propriedade é a ação de aproximação entre os corpos que gera uma situação de frontalidade entre eles. Estar de frente um para o outro não é a primeira escolha. Os corpos se acomodam lado a lado ou de costas um para o outro. Quanto mais aglomerado, mais difícil são as escolhas.
Hoje percebo cada vez mais como essas propriedades se alteram no meu corpo e constroem dança.Aprofundar essa questão considerando corpo/ambiente é o que me interessa no momento, experimentando elementos emergentes de do ambiente ônibus, reconhecendo como meu corpo se organiza, e como lido com eles em outro ambiente. Encontrando problemáticas quanto a gravidade, peso, deslocamento, aproximação, e a formulação de novos corpos ambientes
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GREINER, Christine. O corpo: pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Editora Annablumme, 2005.
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ESSE ESTUDO VEM SENDO EMBASADO A LUZ DOS TEÓRICOS:

CHRISTINE GREINER
FABIANA DULTRA BRITTO
JORGE ALBUQUERQUE VIEIRA

CIANE FERNANDES
GLADIS TRIDAPALLI
HELENA KATZ
JUSSARA SETENTA
ZYGMUNT BAUMAN

Loana Campos - junho de 2009

Espelho espelho meu...




Depois de um tempo de caminhada a gente vai olhando para o espelho e percebendo algumas rugas que começam a surgir, lugares, marcas, estigmas e rastros que ficam,histórias que constróem um lugar que é seu, que se organiza a partir das suas escolhas. Olhar para o meu trabalho, perceber como me relaciono com ele e tentar descobrir as suas lógicas, lugares esses que se articulam entre "estruturas" flexíveis que surgem criando outras possibilidades de organização e entendimento no tempo/espaço.

Vejo nessa trajetória uma organização artistica que não fica no mero reconhecimento de um jeito de tratar a criança e a produção infantil, mas um lugar de contrução de um discurso que é político. Falar de discurso político em dança pode parecer redundante a princípio, mas falo de um outro lugar que percebo enquanto característica própria no meu modo de operar nas criações. É claro que entendo que todo trabalho de dança já é por si só um posicionamento ou um discurso político, porém como ele se configura nos meus trabalhos acredito ser de modo diferenciado,algo que se relaciona com essas marcas e rastros construidos ao longo do tempo, ele se dá na relação desse corpo com o contexto, e isso, talvez, não seja perceptível acredito. Me parece que as pessoas conseguem enxergar e avaliar somente o corpo que se configura a sua frente, esquecendo de perceber as relações que esse corpo constrói em tempo real,o gera alterações constantemente, frequentemente alterado pelo contexto. Tenho muito claro que meus trabalhos não tem se organizado somente nesse lugar, minhas discussões se dão nessa relação do corpo em determinado contexto. Se eu desloco o corpo desse contexto , talvez o discurso perca sua legitimidade e fique somente um corpo ou ação banal.

Não sei se sou claro, acredito que todas essas coisas que escrevo servem mais para eu poder me encontrar no meio do meu discurso. Vejo no meu processo de investigação, não somente uma experiência estética, mas um lugar de complexificação do discurso, no sentido de construir críticamente uma ação que transcende o lugar do entretenimento, e é nesse lugar que ele se coloca como um trabalho que não se faz tão estruturado quanto parece, ele se transforma dentro desse recorte. Outro incômodo que me traz é essa idéia de estrutura, como as pessoas entendem essa palavra? Algo que fecha ou que também se transforma com o tempo? Compreendendo todas as questões que envolvem um trabalho de Dança é preciso olhar para essa palavra como algo que não é fechado, como se algo que possui uma estrutra estivesse condenado a não ter possibilidade de transformação e atualização no mundo. Vejo esse lugar da estrutura como um lugar que levanta paredes sim, mas peredes de água, lugares de flexibilidade que delimitam um lugar de investigação,que propõe um recorte, mas que não é estanque. Questiono meu papel de artista, de proponente de uma lógica que não tem se configurado adequadamente talvez e me faço outra pergunta:O que é adequado?


Precisamos aprender a olhar as escolhas dos outros entender que "O CONTORNO, MOLDURA DE UM QUADRO DE OURO DURO E DE COR AMARELADA FALSA..."nem sempre da conta de "UM QUADRO DE UM CAMPO DE TRIGO COM O VENTO BATENDO...." Falo dessas coisas aqui porque passo por um momento de crise sobre os modos de olhar e perceber meu próprio trabalho, que lugar ele ocupa no mundo e como se relaciona com o contexto ao qual está inserido, falo de encontrar, um lugar fértil para seu desenvolvimento, para o desdobramento de suas marcas e modos de se organizar. "NINGUÉM ABRE ESPAÇO, AS PESSOA FALAM DEMAIS, FAZEM DEMAIS PARA NÃO DAR ESPAÇO PARA O OUTRO....."
"PORQUE QUANDO ABRIMOS VEMOS QUE O OUTRO AS VEZES SABE DIFERENTE, MAS SABE TANTO QUANTO A GENTE, O OUTRO FAZ DIFERENTE, MAS FAZ TAMBÉM MUITO LEGAL, O COLABORATIVO MOSTRA QUE ASSINATURA SE REPARTE, E AS DISTÂNCIAS ESTÃO PRÓXIMAS EM NÍVEIS DIFERENTES..." Falo de um lugar para se perceber, espero que esses lugares realmente existam, lugares de possibilidades, e se não existirem que possamos criá-los nos acotovelamentos, para que o outro também perceba que pode ceder...ceder e empurrar, talvez mais empurrar neste momento.

Clayton Leme

E assim prosegue, Face...

"... Nossos olhares, foram e estão sendo educados e, se queremos transceder as restrições que os modulam e modelam, é preciso refletir sobre outras possibilidades de educação para além das que cotidianamente somos sujeitos e sujeitados, possibilidades essas que nos permitam reinventar nossos modos de ver, de ouvir, de sentir, de pensar de viver e conviver."- Andréa Vieira Zanella



Face tem como interese questionar a atual solidez perceptiva do ser humano, que desde que nasce aprende a olhar e entender objetos, pessoas, situações, estruturas e ações de forma fixa não se contestando de como seria a outa face daquele objeto- ação ou até mesmo a incapacidade de criar estratégias para aprender a ver o mundo de outras formas.
Outra questão abordada na pesquisa é a luz, que vem sendo entendida como aspecto coreográfico capaz de modificar e ser modificada pela cena; a relação entre sombra e luz está presente como mais uma possibilidade de seleção de partes que são recortadas, reconhecidas e iluminadas para serem observadas.
A partir das novas relações com a luz Face, como processo de pesquisa, vem testar as possíveis transformações que essas relações podem construir na dramaturgia cênica-corporal existente.
É de interesse também aprofundar o entendimento da relação entre observador e observado, durante toda a pesquisa há o cuidado de abrir possibilidades para o olhar e perceber o que interfere no corpo-movimento o fato de estar sendo observado.
Outro trabalho que também propõe estudar a observação é " Falam as Partes do Todo", da Cia. Dani Lima no qual a mesma coloca: " Me parece ainda mais urgente refletir sobre esta forma fundamentalista de ver o mundo como uma realidade bidimensional. Esta forma de ver que estabelece uma perspectiva parcial como a melhor, senão a única; que pretende encerrar o significado das coisas; que vê as versões como fatos, as partes como todo. Esta forma de ver que nos tenta com certezas, generalizações, explicações definitivas e fórmulas infaliveis".
Essa pesquisa direciona meu olhar para partes específicas do corpo, muitas vezes até esconde todo o corpo deixando a mostra somente uma partes, essas imagens me fazem questionar em relação ao que me interessa perceber num pequeno fragmento, ou então o que terá do outro lado que não posso ver; acredito que é nesse lugar que faço relação com Face.
E assim sigo... buscando relações, contruindo nexos e abrindo os olhos para ver de outros ângulos...
Aline Vallim

domingo, 21 de junho de 2009

Patinação enquanto Arte



Arte...é realmente uma questão muito ampla, assim como o que é vídeo-dança, o que é linguagem, ou mais “simples” ainda O QUE È DANÇA???

Conceitos e questões que surgiram com uma certa intensidade de uns tempos para cá. Mas a maior de todas, a que vem me levando para inúmeros lugares é: como tratar da patinação artística enquanto arte???

A patinação artística possui um lugar comum no mundo: o do esporte, ou o de espetáculo/show, que por sua vez, por se tratar de um esporte, não significa que não estamos lidando com artistas. Sim, patinadores também podem ser artistas, tudo é uma questão de ponto de vista... ponto de vista? = então estamos falando agora de olhar. O corpo de um patinador requer um condicionamento físico de atleta, e psicologicamente forte – a mente de um atleta, para encarar competições e ter sangue frio nos momentos de extrema exaustão/tensão. Mas a maneira com que tem que lidar com sentimentos (expressividade) qualidade de movimento e presença em cena são indícios de um trabalho desenvolvido no lado artista de cada atleta.

O problema para os tipos de trabalho que tem sido desenvolvidos no mundo da patinação é o OLHAR. Não que seja um real problema, mas sim, uma escolha: A de assumir coreografias com caráter competitivo; ou a tentativa de produzir trabalhos artísticos desvinculados de competições.

Uma hipótese: a dificuldade de se desvincular dos rastros das competições na hora de produzir seja espetáculos, shows ou trabalhos coreográficos que não estão preocupados com a competitividade, mas sim com a capacidade de se desenvolver uma idéia e investir na mesma, está justamente na maneira com que as organizações se estabelecem (mais uma vez repito: o OLHAR), na maneira de olhar, tanto de quem produz quanto de quem prestigia. O lugar comum ainda é o do olhar critico com uma analise avaliativa sobre uma obra proposta, a forma de olhar para um trabalho e a forma de criar, de olhar para a sua criação sabendo O QUE e COMO será avaliada.

Tudo isso não é nenhum grave problema, é como as relações se estabelecem simplesmente pelo fato da patinação vir desse lugar de competição, da preocupação com a técnica e execução perfeita de linhas, formas, flexibilidade, spins (giros), saltos, domínio e super velocidade.

Quando percebi que todas essas questões já estavam impregnadas na patinação e que minha real pesquisa não está na estética, vi que minhas questões se dão na maneira de abordagem de uma linguagem. Transição do esporte para a arte. Como lidar com um esporte, tratar de um “conceito” (patinação artística) de outro modo: na linguagem da arte, que vai se preocupar com outras questões?

Agora sim os levo para outras subquestões que permeiam nesse outro lugar:

Como o corpo se resolve no espaço?
Que estados corporais cada espaço promove?
Como se dá a escolha de espaços não convencionais? (olhar)
Elementos: imagem, câmera olhar (escolha) na relação com o espaço, corpo mídia, sons, patins, ilusão...

Mas tudo isso é pano pra manga para uma OUTRA discussão... vamos deixar para a próxima enquanto todas essas questões vão me transformando e enlouquecendo!!!


Jéssica Gardolin

A razão do movimento...


Chego num momento do meu trabalho que a pergunta mais frequente é o porquê do movimento?
Questões como: qual a razão diss;, ou o sentido disso; ou ainda, o que me motiva; ou a intenção dessa ou outra escolha; me são totalmente relevantes para a construção do trabalho que penso e pretendo realizar.
Todavia não tenho as respostas, mas também sei o que eu não quero, e isso já é uma grande coisa.
Mas me percebo num lugar onde a linha do processo de pesquisa que me encontro, se apresenta em algum momento emaranhada.
Razões que me levam ao questionamento são claras, pois não quero que esses procedimentos sejam apenas pretextos de pesquisa pura e simplesmente.
Tenho desejo que isso seja mais que isso. Que o trabalho proposto seja realmente algo mais profundo, mais expressivo, mais intenso, com o ideal de que a intencionalidade, que a pré-expressividade norteem a razão do movimento.
O movimento que acontece por uma força maior, um sentido maior, um porquê maior do que a própria razão do movimento.
Não quero o movimento pelo movimento. Sem parecer aqui uma crítica pra quem escolhe esse prisma. É uma escolha pessoal, dado a toda história que tenho com a dança e que pretendo utilizá-la como meio para chegar a um "fim".
Um sentido que me pareça claro e distinto, que não tenha o intuíto de justificar ou explicar para alguém, mas que seja tão intenso que acabe suplantando qualquer explicação aparente sobre tal relação.
Estou na busca, não sei se conseguirei, mas sigo o meu instinto.
Obrigado e até mais...

Heleno Moura

Uma (1) etapa....

Olá Colegas do 4º ANO/2009.
Venho até aqui para compartilhar um pouco com vocês a quantas anda minha pesquisa.
Lembro que da última vez que falei dela com vocês estava em um lugar um pouco extranho para mim, não saber bem onde estava minha questão me incomodou um pouco, agora depois de ler o texto
"Corpos Indiciplinados ação cultural em tempos de biopolitica" de Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira indicado pelo Professor Giancarlo as coisas ficaram mais claras para mim, me utilizar da Performance será uma estratégia que tentarei usar para falar um pouco da MINHA restrição, uma forma de expressar o que é meu e em conversa com minha Orientadora Rose Rocha optamos colocar em discussão a minha Dança desde onde ela começou.
Uma (1) Etapa.... como denominei essa performance é o que apresentarei na nossa MOSTRA MINUTO desse bimestre

é isso ai Colegas
TAMUJUNTO.


Peter Abudi.

sábado, 20 de junho de 2009

Processos coreográficos no folclore polonês... em busca de uma identidade



Quando se fala em coreografia, logo levantam-se bandeiras de que isso não se trata de junções de passos, mas sim de pesquisas que se dão em corpos proponentes, etc e tal.

Mas se tratarmos de algo codificado, com estruturas e movimentos preestabelecidos e até mesmo algumas figuras “obrigatórias”, será que podemos nos relacionar com esse coreografar do mesmo modo??

Se as experimentações com improvisação e desconstrução são parte de um processo de pesquisa para a elaboração de um trabalho coreográfico, de que forma isso pode auxiliar efetivamente no trabalho com o folclore?

Como esses experimentos podem ser mote de pesquisa para agregar a uma técnica já estabelecida, sem que essa dança perca o seu “lugar” no folclore de representação de em povo e de seu caráter?

Com essas e outras inúmeras indagações, venho buscando construir um trabalho que não se limite a uma pesquisa de conclusão de curso, mas que possa ter continuidade na minha vida profissional como coreógrafo de grupos folclóricos.

O que mais me motiva diante das dificuldades que surgem no percurso, é o conhecimento de que, na sua origem, antes de ser “coreografada” e adaptada para que grupos folclóricos pudessem apresentá-la representando-as, esta dança era justamente espontânea, de caráter “improvisatório”, onde não existiam parâmetros classificatórios para a construção ou execução da mesma.

É verdade que, se existia alguma pesquisa quanto a movimento quando isso era espontâneo, ela acontecia não em estúdios, mas nas vivências diárias, no trabalho no campo, no convívio familiar, de onde surgiam os elementos que compõe esta dança como conhecemos hoje.

Tento agora, fazer o processo inverso, quebrando algumas dessas regras estabelecidas por “entendedores”, em busca de uma identidade folclórica que vá além de uma simples colagem de passos.

Luis Gustavo Guarize

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desvio

“Rigorosas leis mecânicas estabelecem acontecimentos. Os átomos, contudo, se desviam, imprevisivelmente, da linha reta, numa prática de liberdade legitimada dentro da própria lei. Do caráter estritamente físico do mundo brota o imprevisível (o desvio), mas como previsão (pois afiança que, em algum momento ocorrera o desvio). Poesia onde o vácuo apresenta tão concreto quanto os corpos sólidos.”
( Katz,H. – Um, Dois, Três. a dança é o pensamento do corpo;p.65,2005)

A minha pesquisa trás para o espaço questões de imprevisibilidade, desvios, que aparecem para modificar, problematizar e dificultar no corpo os momentos de “reorganizações corporais” que é um dos focos principais desse trabalho. Defino desvio com o um corpo que corta, desvia, cruza, vai e volta numa mesma via de uma ponta a outra, construindo um caminho que tem uma trajetória espacial e decide os momentos que segue nessa trajetória e os momentos em que sai dessa rota e busca outros lugares para se organizar, criando outra rota para desenrolar sua dança. O corpo dentro dessa rota caminha num encadeamento de partes isoladas num fluxo que é contínuo, mas que pode ser interrompido a qualquer momento. São cruzamentos, encontros e distância que geram acidentes, são várias entradas e saídas, várias bifurcações que se cruzam no corpo pensante, são adaptações, ajustes, caos que geram um estado de risco e tensão no espaço, são momentos de escape, como desviar de uma pedra no meio do seu caminho.

Isabela Schwab.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

processos de passagem

Bom, minha pesquisa começou com o interesse em experimentar as relações corpo/cidade. Foi selecionada, então, a questão da passagem do/no corpo para investigar. Passagem relacionada a um modo de encarar a vida como um devir, como fluxo do tempo que não podemos deter, num corpo que compartilha com outros corpos e também com o ambiente. O corpo vivo nunca está parado, é, existe e acontece em movimento/mudança.
O próprio corpo entendido como passagem; estamos sempre nos atualizando, na ação; impermanência do organismo. Passagem que produz um estado corporal de infinitude, nada começa e nada termina, apenas continua. Esse corpo de/em passagem que problematiza o trânsito dentro/fora (relação corpo-ambiente), passando e criando diversos estados corporais.
Da necessidade de investigar estados corporais, surgiu a relação com imagens, os diferentes estados que surgem da relação corpo/câmera, das ações de observar e ser observado. Desse teste experimental e do revezamento entre imagem e estados de corpo, emerge a possibilidade de se criar uma dramaturgia cênica a partir de dois estados corporais sobrepostos, nos quais o uso da câmera e o movimento testado em tempo real ajuda a produzi-los: simultaneidade da presença do corpo (o corpo pode estar em um determinado local e em outro ao mesmo tempo); produção de movimento no corpo quando este está aparentemente “parado” (o corpo está parado e a imagem/câmera produz o movimento). Uma pesquisa que opera no trânsito entre o corpo e a imagem, nessa passagem. Pensando em como a linguagem do cinema pode adentrar no corpo que dança. Uma dança que estuda a passagem em tempo real, dialogando com imagens de um corpo que atravessou estados; pela fusão entre corpo/imagem, imagem/corpo. Para tanto a investigação no processo levanta questões e procedimentos práticos para e com a câmera, bem como questões que surgem do/no corpo.
A pesquisa está se desenvolvendo a partir da leitura de materiais teóricos, como o estudo de Silvana Olivieri (Corpo-cidade-cinema) e Denise Sant’ana (Corpos de Passagem), no momento, também, estou lendo muito sobre as relações entre dança e tecnologia.
(...na verdade, estou repensando muitas coisas sobre a pesquisa, como o que entendo por estado corporal,ou se faço um video-dança ou uma videocenografia, com quais autores quero conversar...mas, por enquanto é isso.)
Bruna Spoladore 4ºano-FAP

domingo, 14 de junho de 2009

Edson Bueno dá sua opinião sobre a presença cênica.

Para Bueno a “presença cênica” está relacionada a dois aspectos, a memória física (técnica) e a um trabalho psicológico totalmente associados.

O artista de modo geral tem dificuldade em abordar a psicologia porque ela é a sombra, o lado obscuro, os quais têm medo de conhecer e inteirar-se, é o que dói ou causa desconfortos, só procura o bom, o agradável. Assim sendo, vai atrás de uma técnica, procurando através dela conquistar a tão almejada “presença cênica”. Bueno, no entanto não acha suficiente, acredita que essa técnica só desenvolve o equilíbrio físico.

Acredita no trabalho do psicanalista de Wilhelm Reich, aluno de Freud, que desenvolveu os princípios da terapia corporal, desde a década de 1930. Ele começou a trabalhar diretamente com o corpo, com uma técnica que visava especificamente aprofundar e liberar a respiração, a fim de melhorar e intensificar a experiência emocional. Alexander Lowen e John Pierrakos, alunos de Reich, ampliaram esse método transformando-o no que se conhece hoje como Análise Bioenergética.

Bueno define como sensibilidade o mais importante para o artista que trabalha com seu corpo, onde a sensibilidade seria a capacidade do artista estar conectado com todo o seu corpo o tempo todo, a mente e corpo juntos. E é nesse ponto em que seu entendimento converge com o de Lowen e Pierrakos, onde o indivíduo é visto como uma unidade psicossomática. O que afeta a sua mente afeta seu corpo, e o que afeta o seu corpo afeta sua mente. Suas defesas psicológicas usadas para lidar com a dor e o estresse, tais como racionalizações, negação e supressões também estão ancoradas no corpo. E aparecem como padrões musculares que inibem a expressão. Esses padrões tornam-se inconscientes e passam a fazer parte da própria identidade da pessoa, impedindo que ela consiga se modificar, mesmo que entenda a natureza do problema. Os padrões corporais cronicamente rígidos, juntamente com as representações mentais, crenças e valores sustentam esses padrões, constituem a estrutura de caráter, que influencia a autopercepção física, a auto-estima, a auto-imagem e o intercâmbio com o ambiente.

Na análise Bioenergética é feita a leitura corporal, ouve-se a história que a pessoa conhece e consegue contar e também deduz a história que ela ainda não conhece a partir do que o corpo mostra. A leitura corporal se baseia na observação da energia, intensidade, fluxo ou bloqueios (vitalidade), capacidade de conter energia (autocontrole), centramento (autoconhecimento), grounding (contato com a realidade interna, emocional, e a realidade externa, o mundo).

Essa possibilidade de conhecer e conectar-se inteiramente, de lidar com suas limitações, com o entendimento de si próprio é que propiciará ao artista uma conexão diferenciada, a física que pode ser trabalhada através de técnicas específicas ( Barba, Grotowsky, Stanislawsky) e a do terreno da psicologia, da aceitação psicológica, do indivíduo, do ser humano como ele é, com seus traumas , imperfeições mas também qualidades e valores. Unindo as duas coisas resultará num artista conectado o máximo possível com ele todo, que mais vivenciará como um todo, e é esse todo que lhe dará a diferença, a “presença” no momento de se expressar artisticamente.

Regina Kotaka

Edson Bueno dá sua opinião sobre a presença cênica.

Para Bueno a “presença cênica” está relacionada a dois aspectos, a memória física (técnica) e a um trabalho psicológico totalmente associados.
O artista de modo geral tem dificuldade em abordar a psicologia porque ela é a sombra, o lado obscuro, os quais têm medo de conhecer e inteirar-se, é o que dói ou causa desconfortos, só procura o bom, o agradável. Assim sendo, vai atrás de uma técnica, procurando através dela conquistar a tão almejada “presença cênica”. Bueno, no entanto não acha suficiente, acredita que essa técnica só desenvolve o equilíbrio físico.
Acredita no trabalho do psicanalista de Wilhelm Reich, aluno de Freud, que desenvolveu os princípios da terapia corporal, desde a década de 1930. Ele começou a trabalhar diretamente com o corpo, com uma técnica que visava especificamente aprofundar e liberar a respiração, a fim de melhorar e intensificar a experiência emocional. Alexander Lowen e John Pierrakos, alunos de Reich, ampliaram esse método transformando-o no que se conhece hoje como Análise Bioenergética.
Bueno define como sensibilidade o mais importante para o artista que trabalha com seu corpo, onde a sensibilidade seria a capacidade do artista estar conectado com todo o seu corpo o tempo todo, a mente e corpo juntos. E é nesse ponto em que seu entendimento converge com o de Lowen e Pierrakos, onde o indivíduo é visto como uma unidade psicossomática. O que afeta a sua mente afeta seu corpo, e o que afeta o seu corpo afeta sua mente. Suas defesas psicológicas usadas para lidar com a dor e o estresse, tais como racionalizações, negação e supressões também estão ancoradas no corpo. E aparecem como padrões musculares que inibem a expressão. Esses padrões tornam-se inconscientes e passam a fazer parte da própria identidade da pessoa, impedindo que ela consiga se modificar, mesmo que entenda a natureza do problema. Os padrões corporais cronicamente rígidos, juntamente com as representações mentais, crenças e valores sustentam esses padrões, constituem a estrutura de caráter, que influencia a autopercepção física, a auto-estima, a auto-imagem e o intercâmbio com o ambiente.
Na análise Bioenergética é feita a leitura corporal, ouve-se a história que a pessoa conhece e consegue contar e também deduz a história que ela ainda não conhece a partir do que o corpo mostra. A leitura corporal se baseia na observação da energia, intensidade, fluxo ou bloqueios (vitalidade), capacidade de conter energia (autocontrole), centramento (autoconhecimento), grounding (contato com a realidade interna, emocional, e a realidade externa, o mundo).
Essa possibilidade de conhecer e conectar-se inteiramente, de lidar com suas limitações, com o entendimento de si próprio é que propiciará ao artista uma conexão diferenciada, a física que pode ser trabalhada através de técnicas específicas ( Barba, Grotowsky, Stanislawsky) e a do terreno da psicologia, da aceitação psicológica, do indivíduo, do ser humano como ele é, com seus traumas , imperfeições mas também qualidades e valores. Unindo as duas coisas resultará num artista conectado o máximo possível com ele todo, que mais vivenciará como um todo, e é esse todo que lhe dará a diferença, a “presença” no momento de se expressar artisticamente.
Regina Kotaka

terça-feira, 9 de junho de 2009

TCC

Percurtir!!!
A dança dentro desse estudo vem junto com a música, forte estímulo dado ao corpo para se movimentar.Brincando com sons e ritmos variados percebi a relação da percussão, como esses ritmos ajudam numa movimentação brasileira do corpo.Então parei para pesquisar e perceber relações feitas com a música e a dança e encontrei a percussão corporal, que utiliza do corpo como um instrumentos único.
A pesquisa é sobre esse corpo que percute, esse corpo que tem som, e a busca de uma movimentação corporal promovida por essa percussão.A pesquisa surgiu com o contato com outros corpos e outros tipos de culturas, onde cada um tem sua individualidade caracterizada em sua movimentação,cada corpo tem sei DNA de informações e movimentações próprias.
Atualmente busco um diálogo entre corpos, entre o som e o movimento que esse corpo produz. Corpo que se apropria do som do outro corpo, uma forma primitiva de se fazer som com o corpo como instrumento único de se expressar.
Dança através do estudo da percussão corporal.A diferença do som que esse corpo produz, e o som que esse corpo produz com o auxilio de outro corpo.O corpo que propõe esse som,a movimentação que o corpo promove para a execução desse som.Com o jogo, a brincadeira e a busca da atenção de quem vê.

Greyce Lucca

segunda-feira, 11 de maio de 2009

TCC

Vou falar aqui sobre o tema do meu trabalho, pois ainda nao abri minha idéia com ninguem da sala.
Será sobre fotografia, e como ela se insere na nossa vida nos trazendo a lembrança dos momentos congelados pela imagem. Tive essa ideia depois que o Gean sugestionou para que fizesse algo relacionado a minha esperiencia fora de Curitiba enquanto dançava em outras Cias de Dança. Ao inve´s de falar sobre meu lado profissional, quero falar sobre o lado pessoal, do momento em que perdi meu pai enquanto estava dançando em São Paulo, como foi e como está sendo lidar com isso no presente.
Escolhi a fotografia pois é uma área que me interesso muito e que retrataria varias situações e traria questoes como: O que teria acontecido se tivesse feito diferente? São varias questoes pessoais, que pelo fato de ter ocorrido uma certa discussao em sala, me fez ficar a vontade para falar sobre um assunto que interessa só a mim e que os outros assistirao, gostarao ou nao. O contemporaneo deixa isso acontecer. Deixa eu falar sobre algo intimo, nao somente sobre uma pesquisa inedita ou revolucionária da qual ninguem nunca pensou antes.
Vou utilizar o recurso de vídeo-imagem. Nao sei se será necessariamente um video dança, ou dança no video. Essa questao surgiu atraves da mostra minuto da Jéssica, que veio trazer esta duvida a tona à ela tambem. É mais um ponto a se pesquisar.
Ainda estou em fase de pesquisa teórica. Para mim, é mais facil de me organizar dessa forma. Mas terei de fazer alguma coisa perante questoes burocraticas de sala de aula.
Qualquer sujestao, estou aberta a ouvir.
Karin Chaves

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sobre Criança e Brinquedo



A noção do corpo é a base da estruturação motora e afetiva da criança, sendo desenvolvida ao longo da infância, projetando-se por toda a vida. A percepção do próprio corpo fornece à criança um referencial para ela agir no mundo exterior, pois, quando se relaciona com a informação ambiental necessita de um ponto de referência a partir do qual organiza as impressões que recebe. Os movimentos corporais são fontes desta referência de organização e, por esse motivo, a criança deve ter oportunidades de desenvolver a percepção do seu corpo em movimento.



Este tipo de percepção é motivado em grande parte através do brinquedo na Dança. A utilização de manifestações simbólicas como a brincadeira dançada faz com que a criança adquira condições de gradativamente adaptar-se ao meio de modo criativo, tomando consciência da lógica cosntruidas a partir das suas ações. A essência do brinquedo é a possibilidade que a criança tem de evidenciar de maneira simbólica uma nova relação entre as situações imaginárias e as reais.



Nesta perspectiva, a atividade semiótica do brinquedo na Dança torna-se um importante requisito para o desenvolvimento infantil, pois amplia a realidade externa da criança, sua imaginação, sonho, fantasia, fomentando a necessidade de organização interna a fim de utilizar suas experiências na relação entre o corpo e o ambiente.


Clayton Leme
elaborado em discussões com co-orientadora, processos do embolação
Andréa Sério Bertoldi

QUANDO AS BOLHAS SE ENCONTRAM





QUANDO AS BOLHAS SE ENCONTRAM


-ajustes corporais dentro de um espaço público-








Corpo e cidade são co-fatores de configuração de um contexto. E ambiente é o conjunto de condições circunstancialmente
disponíveis por essas configurações para os relacionamentos entre elas se estabelecerem.”




Fabiana Britto, em uma entrevista à revista virtual dês[dobra]








Como corpos se relacionam em espaços públicos? Como se dão as relaçoes corporais em determinados espaços urbanos como dentro de um ônibus? Quais implicaçoes entre os espaços onde transitam os corpos e o modo como os corpos carregam e compartilham as informações?




A pesquisa em desenvolvimento procura analisar qual o tipo de relaçao entre os corpos em um ambiente público tendo como ponto de partida, m recorte contextual, que pode diagnosticar comportamentos do corpo, a partir da análise dos corpos no ambiente público. Acredita-se que analisando o que acontece no espaço ônibus ( linha biarticulado centenário-campo comprido), possa-se discutir sobre como relaçoes do corpo se estabelecem entre as pessoas e o que essas relaçoes apresentam como similaridade de forma ou não.Se existem propriedades do corpo que emergem de modo similar ou não entre os passageiros. E o que isso pode contribuir para um processo de criaçao em dança conteporanea. Que diálogo pode ser estabelecido entre espaço urbano e pesquisa em dança contemporanea.



Uma das estratégias que estruturam o estudo nesse momento é um recorte dentro do próprio Ônibus. A partir das observações surgiu então a necessidade de levantar propriedades corporais relacionadas ao uso desse espaço especifico, as propriedades contidas nesse espaço considerando o momento em que a pessoa entra, ate o momento em que ela sai do ônibus ao chegar em seu destino. Com o intuito de averiguar se existem ou não propriedades comuns aos corpos que se utilizam desse espaço.




Ao inventariar as circunstâncias a que o corpo esta sujeito ao circular nesse espaço, como um modo de levantar essas propriedades, estão sendo estudadas s relações entre: um corpo e as distintas dinâmicas sugeridas pelo movimento do ônibus, entre um corpo e os outros corpos que compartilham o mesmo espaço, e os corpos em relação a estrutura dentro do ônibus. Essa estrutura se constitui dos acentos, dos suportes de metal, portas, espaço dos portadores de deficiência, das divisões encontradas no espaço, das orientações que o próprio espaço traz (de onde um corpo pode se colocar ou não).




Trazer essas propriedades levantadas para um outro ambiente e experimentar o que acontece com esse "outro"corpo-ambiente, agora um corpo sozinho em um lugar espaçoso tem me levado a perceber que essas propriedades muitas vezes se aproximam, em outros momentos a necessidade desse novo corpo-ambiente faz com que novos ajustes se construam, e o que é mais interessante são esses encontros, e essas informaçoes que se fazem presentes e que essas conjuntamente constroem o espaço. Corpo com outros corpos com a estrutura, seja ela em movimento no onibus ou em uma espaçosa sala de ensaio. As relaçoes alteram o CORPOAMBIENTE. O CORPO-AMBIENTE CONSTRÓI AS RELAÇÕES.








Loana Campos


É o tchan no Hawaí....


"Os havaianos não tinham língua escrita, então a música e a dança eram as únicas formas de expressão"
Warren Bolster, 1999

Se a primeira imagem que lhe vem a mente quando você escuta a palavra Hula,é uma dançarina usando saia de ráfia,com movimentos ondulantes e sensuais de quadris,você está completamente enganado. Esta visão deturpada da dança havaiana é comum........ ou melhor é o senso comum, pois esta manifestação tem sua procedência em lugares muito mais profundos do que o “É O TCHAN” jamais poderá reproduzir!!!!
Esta Hula esteve presente no Havaí,desde a criação das ilhas, a qual sagrada e utilizada assim para contar história dos deuses e dos ancestrais Havaianos.
“Desde que a palavra falada é transportada pela respiração, a respiração é sinônimo de vida, as palavras (segunda crenças antigas) são carregadas com o MANÁ (poder pessoal) individual de cada um” (Kamakau, 1986) escreveu, “cada palavra deve ser estudada pelo seu significado e pelo seu efeito.”
Assim este pantomimar contou gerações de lendas, histórias e cultura que como muitas assim a acompanham esta desfalecendo-se em meio ao propósito turístico, tornando-se assim uma outra dança, esta que tentarei estudar um pouquinho mais, tentando assim diagnosticar que lugar esta dança esta ocupando em toda esta esfera cultural!!!!!!!!

Rafaela Bolinelli Goede 4º ano dança Fap

Percutir!!!

O processo é extenso.
Dança através do estudo da percussão corporal.
O corpo e o som?
A diferença do som que esse corpo produz, e o som que esse corpo produz com o auxilio de outro corpo!
O corpo que propõe esse som,a movimentação que o corpo promove para a execussão desse som.
Qual a diferença do movimento?Quem está a favor, o corpo ou o som?Quem lidera?
O jogo.A brincadeira.O diálogo entre.
A busca pela atenção de quem vê.
Investigar.Explorar outros corpos.Propor.Observar.Reconhecer.
Testar a teoria na prática.Estudar.Ler.Se informar.Ir além.
Relações surgem.Respostas.Mais dúvidas.
Continuar.Tentar mais.
Um pesquisa contínua.
Todos os dias a mente sempre está aberta.
E o corpo sempre alerta.
A busca continua.
O observar e o ouvir estão ainda mais em alerta.
As questões surgem.E se transformam.
Uma busca por algo que ainda não sei direito delimitar.
Um processo gradativo de informações!
A busca continua!

Greyce Lucca Aita

Partiu daqui...




Está certo que a patinação artística é vista no mundo como esporte, mas se o próprio nome já diz “Artística” por que esquecer que sua função também é arte? Não que seja vítima, mas este é um pensamento condicionado e eu diria até “esteriotipado” da sociedade.

Essa relação traz diversas conseqüências, os atletas se limitam a serem atletas, aprender, treinar e condicionar o corpo a movimentos de alto grau de dificuldade. O grande problema é que nas apresentações e espetáculos, esses indivíduos necessitam ser artistas completos que percorram tanto pelo condicionamento físico do esporte, quanto à plasticidade e expressividade da dança, e essa bagagem eles não possuem, porque não foi processada, não há trabalho.
Através da dança os atletas têm oportunidade de desenvolver trabalhos de consciência corporal visando própriocepção e esquema corporal, assim como percepção de sua própria técnica (consciência de movimentos, erros e acertos) durante treinos; a plástica dos movimentos adquiridos com a dança também vem acrescentar na expressividade de movimentação, na clareza nas escolhas, na comunicação das idéias com a platéia, o olhar direcionado e a presença cênica.

Esse diálogo da arte pode ser visto como ponto de partida para a relação do atleta artista, e do esporte artístico, é uma oportunidade para a investigação e processo do desenvolvimento de um corpo híbrido, que permeie em diferentes áreas e que carregue consigo o conhecimento que vai adquirindo por onde passa.
Jéssica Gardolin