segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Informações inconscientes.....


....caminhamos, corremos... são inúmeros músculos agindo sincronicamente. Se pretendêssemos conscientemente movimentar cada um desses músculos ao correr, por exemplo, imediatamente cairíamos. Respiramos, e, poucas pessoas sabem com exatidão quais músculos externos e internos deveriam mover. Quem é capaz de movimentar conscientemente cada músculo da língua, dos lábios, do pescoço, dos pulmões, do peito... que intervém na fala? Mesmo sem estarmos conscientes desses movimentos, eles acompanham nossos corpos em todas as atividades.
Para Ferraz (1999), a consciência do corpo passa a se fixar na energia, nas articulações, apenas nos movimentos, não tendo envolvimento com as emoções ou pelas imagens de uma narrativa, desvencilhado, portanto a normal situação em que a consciência governa e embasa a consciência do corpo. Para que a consciência do corpo emerja é necessário descentrar a consciência, fazer com que esta perca seus pontos de referência e partida habituais. Este ponto é apenas dos tantos relevantes, levando em consideração que o ato da consciência é a sua expressão e que não é só o ato de consciência que provoca a "mímica" externa, mas também dá-se o inverso: a "mímica", o gesto, a atitude, etc. tendem a provocar a idéia, a imagem, o sentimento... Ou melhor, provoca-os no inconsciente e daí tende a surgir no consciente e vice e versa caracterizando fases cíclicas destas trocas de informações.
Vemos então de que modo José Gil produz um conceito de “inconsciente” “desumanizado” e, por assim dizer, “exterior”, um conceito de inconsciente além do humano, além da hierarquia do organismo e do encontro do interior/exterior. E isso em vários sentidos: como inconsciente não mais remetido a subjetividade banal, mas como um inconsciente revertido sobre a pele, interface interior-exterior, espaço contínuo de fluxo de energias libertadas.

O que emerge desta questão é um pensamento muito fértil e potente sobre o corpo, sobre o movimento, a dança, a arte, capaz de fertilizar e muito os horizontes em relação a este corpo.

Referencias
FERRAZ, Maria. Percepção, subjetividade e corpo: do século XIX ao XXI, 1999.
GIL, José. Movimento total – o corpo e a dança. Lisboa: Relógio D’Água, 2001.

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Rafaela Bolinelli Goede

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