...Ha um consenso entre iluminadores, quase que como esquemas pré-estabelecidos, bailarinos devem ser iluminados por focos laterais para ressaltar o aspecto escultural dos corpos, descrever os movimentos nas dimensões de comprimento e profundidade.
De fato, a iluminação lateral proporciona tudo isso, mas ela é uma possibilidade e não uma receita.
A luz tem se aproximado cada vez mais de Face, e Face tem se construído a partir da relação com a luz, como diz Roberto Camargo "luz e cena podem ser entendidos como processos de comunicação c0-evolutivos".
Desde o momento em que a iluminação cênica entrou para ambientes fechados carregou consigo uma visão externalista, ou seja, era entendida como um elemento separado, como algo fora do processo de comunicação. Esse pensamento se fortificou no movimento naturalista, que passou a utilizar a iluminação a partir de uma concepção pictórica; como se a cena fosse um quadro ou imagem representativa da realidade e desta forma a luz obedecia as determinações da cena.
Com o passar do tempo novas possibilidades de se pensar a luz emergiram do ambiente, e é no movimento simbolista que a iluminação cênica passa a ser entendida como parte integrante da cena capaz de inventar continuamente e reciprocamente o espaço, construindo novas espacialidades, diminuindo assim o aspecto pictórico através da busca de uma luz mais viva para uma cena viva, percebendo-se que a luz trocava informações com a cena dialogando com ela no momento mesmo da performace.
É a partir desse pensamento que a cena de Face vem sendo construída, do dialogo entre corpo e luz e das possíveis possibilidades que possam emergir dessa relação . Criando assim novas espacialidades para que o publico possa observar corpo, movimento e situações de diferentes ângulos.
REFERÊNCIA:
CAMARGO, Roberto Gil. Luz e Cena: processos de comunicação co-evolutivos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
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Alinê....
ResponderExcluir... então penso que muito interessante estes comentário que fazemos neste blog tenham alguma função real ajudando as pessoas que têm seus textos comentados a repensar, reafirmar ou olhar para novos pontos de vista até então não olhados por tal “face”.....assim resolvi anexar uma parte bem substancial de um texto escrito por Nadia Luciani que estava dando uma observadinha.....espero que que auxilie!!!!
A luz como parte integrante e compositiva da cena na dança e entendendo-a como
elemento de informação e comunicação, percebemos de que forma é fundamental que sua
concepção e criação estejam fundamentalmente voltadas à coerência e unidade orgânica dos
espetáculos, onde todos os elementos são unos e indissolúveis a partir do memento da sua
concretização, tornando-se indispensáveis e ligados uns aos outros de maneira
inquestionável. Só a criação conjunta e a orientação precisa tanto do elenco quanto da
equipe de criação podem levar a este resultado positivo e eficiente da encenação dramática,
seja no teatro, dança, música ou qualquer outra manifestação cênica. A iluminação deve ser
entendida não como um elemento isolado, mas como um processo que deve fazer parte da
construção geral da cena, isto é, luz e cena devem ser pensadas como um processo vivo e
co-evolutivo. Não há como compreender o papel que a luz desempenha nesse processo sem
levar em consideração a relação de trocas que ela estabelece com a cena e todos os seus
elementos construtivos, e vice-versa, pois elas constituem diferentes realidades físicas que
se põem em contato e se transformam reciprocamente, ininterruptamente. É desta forma
que tanto encenador, coreógrafo ou diretor quanto iluminador cenógrafo ou figurinista
precisam entender o processo criativo de um espetáculo, com foco no resultado final e na
impressão a ser causada no público, nosso real objetivo e função primordial.
Rafaela Bolinelli Goede