Bom, minha pesquisa começou com o interesse em experimentar as relações corpo/cidade. Foi selecionada, então, a questão da passagem do/no corpo para investigar. Passagem relacionada a um modo de encarar a vida como um devir, como fluxo do tempo que não podemos deter, num corpo que compartilha com outros corpos e também com o ambiente. O corpo vivo nunca está parado, é, existe e acontece em movimento/mudança.
O próprio corpo entendido como passagem; estamos sempre nos atualizando, na ação; impermanência do organismo. Passagem que produz um estado corporal de infinitude, nada começa e nada termina, apenas continua. Esse corpo de/em passagem que problematiza o trânsito dentro/fora (relação corpo-ambiente), passando e criando diversos estados corporais.
Da necessidade de investigar estados corporais, surgiu a relação com imagens, os diferentes estados que surgem da relação corpo/câmera, das ações de observar e ser observado. Desse teste experimental e do revezamento entre imagem e estados de corpo, emerge a possibilidade de se criar uma dramaturgia cênica a partir de dois estados corporais sobrepostos, nos quais o uso da câmera e o movimento testado em tempo real ajuda a produzi-los: simultaneidade da presença do corpo (o corpo pode estar em um determinado local e em outro ao mesmo tempo); produção de movimento no corpo quando este está aparentemente “parado” (o corpo está parado e a imagem/câmera produz o movimento). Uma pesquisa que opera no trânsito entre o corpo e a imagem, nessa passagem. Pensando em como a linguagem do cinema pode adentrar no corpo que dança. Uma dança que estuda a passagem em tempo real, dialogando com imagens de um corpo que atravessou estados; pela fusão entre corpo/imagem, imagem/corpo. Para tanto a investigação no processo levanta questões e procedimentos práticos para e com a câmera, bem como questões que surgem do/no corpo.
A pesquisa está se desenvolvendo a partir da leitura de materiais teóricos, como o estudo de Silvana Olivieri (Corpo-cidade-cinema) e Denise Sant’ana (Corpos de Passagem), no momento, também, estou lendo muito sobre as relações entre dança e tecnologia.
(...na verdade, estou repensando muitas coisas sobre a pesquisa, como o que entendo por estado corporal,ou se faço um video-dança ou uma videocenografia, com quais autores quero conversar...mas, por enquanto é isso.)
Bruna Spoladore 4ºano-FAP
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Penso em passagem como uma troca de dentro pra fora e de fora para dentro constante entre o corpo e o ambiente, pode ser o seu olhar em relação a algo de fora que passa pra sanar uma curiosidade e ao mesmo tempo em que você filma essa curiosidade por você passa um carro, com outros olhares/câmeras que te filmam e te observam por algum motivo. Sempre em algum lugar alguém ou alguma coisa estará em passagem por mim, mesmo que eu esteja parada.
ResponderExcluirIsabela Schwab.
Bru, fiquei pensando muito lendo tua postagem e vendo teu trabalho no vídeo na mostra interna e percebo como seu discurso corporal/cinematográfico, fica cada vez mais coeso e consistente, a gente olha e descobre uma força no movimento que as vezes a figura frágil se apresenta como engano...areia movediça...rsrsrsrs. Acredito que realmente essas trocas com ambiente tem ampliado as possibilidades de alcance do teu trabalho e assim consequentemente teus braços tem se alargado e alcançado além...além, além.... parabéns pelo caminho de construção... agora é spo fazer escolhas , sem medo e descobrindo as delicias de experimentar, simplesmente experimentar...hahahahaha as escolhas...
ResponderExcluirClayton Leme