quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desvio

“Rigorosas leis mecânicas estabelecem acontecimentos. Os átomos, contudo, se desviam, imprevisivelmente, da linha reta, numa prática de liberdade legitimada dentro da própria lei. Do caráter estritamente físico do mundo brota o imprevisível (o desvio), mas como previsão (pois afiança que, em algum momento ocorrera o desvio). Poesia onde o vácuo apresenta tão concreto quanto os corpos sólidos.”
( Katz,H. – Um, Dois, Três. a dança é o pensamento do corpo;p.65,2005)

A minha pesquisa trás para o espaço questões de imprevisibilidade, desvios, que aparecem para modificar, problematizar e dificultar no corpo os momentos de “reorganizações corporais” que é um dos focos principais desse trabalho. Defino desvio com o um corpo que corta, desvia, cruza, vai e volta numa mesma via de uma ponta a outra, construindo um caminho que tem uma trajetória espacial e decide os momentos que segue nessa trajetória e os momentos em que sai dessa rota e busca outros lugares para se organizar, criando outra rota para desenrolar sua dança. O corpo dentro dessa rota caminha num encadeamento de partes isoladas num fluxo que é contínuo, mas que pode ser interrompido a qualquer momento. São cruzamentos, encontros e distância que geram acidentes, são várias entradas e saídas, várias bifurcações que se cruzam no corpo pensante, são adaptações, ajustes, caos que geram um estado de risco e tensão no espaço, são momentos de escape, como desviar de uma pedra no meio do seu caminho.

Isabela Schwab.

Um comentário:

  1. Risco, mudança de tragetória repentina, busca de soluções, saber a hora de agir e de parar... É como nossa vida, que nos surpreende a cada dia, pois não sabemso o que vai acontecer no próximo minuto. Saber lidar com os fatos que nem sempre são esperados faz parte do nosso cotidiano e é barbaro transformar isso na linguagem dos movimentos, transformar o que é tão sacrificioso em arte e pequisa.
    Adoro.
    Karin CHaves

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