Quando se fala em coreografia, logo levantam-se bandeiras de que isso não se trata de junções de passos, mas sim de pesquisas que se dão em corpos proponentes, etc e tal.
Mas se tratarmos de algo codificado, com estruturas e movimentos preestabelecidos e até mesmo algumas figuras “obrigatórias”, será que podemos nos relacionar com esse coreografar do mesmo modo??
Se as experimentações com improvisação e desconstrução são parte de um processo de pesquisa para a elaboração de um trabalho coreográfico, de que forma isso pode auxiliar efetivamente no trabalho com o folclore?
Como esses experimentos podem ser mote de pesquisa para agregar a uma técnica já estabelecida, sem que essa dança perca o seu “lugar” no folclore de representação de em povo e de seu caráter?
Com essas e outras inúmeras indagações, venho buscando construir um trabalho que não se limite a uma pesquisa de conclusão de curso, mas que possa ter continuidade na minha vida profissional como coreógrafo de grupos folclóricos.
O que mais me motiva diante das dificuldades que surgem no percurso, é o conhecimento de que, na sua origem, antes de ser “coreografada” e adaptada para que grupos folclóricos pudessem apresentá-la representando-as, esta dança era justamente espontânea, de caráter “improvisatório”, onde não existiam parâmetros classificatórios para a construção ou execução da mesma.
É verdade que, se existia alguma pesquisa quanto a movimento quando isso era espontâneo, ela acontecia não em estúdios, mas nas vivências diárias, no trabalho no campo, no convívio familiar, de onde surgiam os elementos que compõe esta dança como conhecemos hoje.
Tento agora, fazer o processo inverso, quebrando algumas dessas regras estabelecidas por “entendedores”, em busca de uma identidade folclórica que vá além de uma simples colagem de passos.
Luis Gustavo Guarize

Acredito que as suas crises em relação à pesquisa estão começando a se dissolver, e percebe-se que agora os caminhos ficam cada vez mais claros. Com a proposta experimentada em sala compreende-se melhor a ideia defendida nesse texto, é realmente interessante esse caminho "inverso" que você fala, acho que para se entender como as relaçoes acontecem atualmente no processo coreografico folclorico deve-se fazer um traço historico mesmo, revisitar de onde veio e onde está. Algumas duvidas: quando você coreografa é regido pela musica para criar os passos? ou quer investigar/passar alguma ideia/questão atual no momento coreografico?
ResponderExcluirJéssica Gardolin
Oi Gus... é bacana perceber o quanto suas crises vão passando por processos evolutivos...rsrsrsrsr caminhando e construindo outras relações, encontrando possibilidades. Olhar para algo que ja acontecia na corte de Luis XIV, onde as danças eram adaptadas dos meios populares para a corte, onde passos que faziam sentidos em determinados contextos eram descolados para serem colados em um outro contexto que muitas vezes não vinham acompanhados de suas questões geradoras. Como vc falou, fazer o caminho inverso nos faz refletir sobre a liberdade que podemos encontrar em rever e atualizar essas informações para que novamente possam encontrar outros ocntextos e se reorganizar construindo novos sentidos... não com quem volta pro mesmo lugar ou início, mas alguém que volta em um lugar com atualizações de idéias e pensamentos.
ResponderExcluirParabéns pelo caminho...construido até aqui.
bjão
Clayton Leme