
"Assim como não há organismo sem ambiente, dificilmente há ambiente sem nenhum organismo. O ponto chave é que os seres vivos e seus ambientes se situam em relação, uns com os outros, através de suas especificidades mútuas ou de uma relação de co-determinação"(GREINER,2005:44)
Ao vivenciar o ambiente ônibus diariamente, surge uma necessidade de discutir essa relação do comportamento dos corpos nesse ambiente, composto por pessoas que carregam em sua rotina a realidade de se deslocar no ônibus, Como o corpo opera quando esta nesse ambiente e como se da a negociação junto a outros corpos compartilhando um mesmo espaço, é por onde a pesquisa tem estado.
Partindo de um inventário onde foram levantadas as propriedades corporais, sendo essas, resultado da observação pratico teórica do corpo que pega e está no ônibus. É resolvido escolher três delas para experimentar e formular no corpo essas questões que surgem do ambiente ônibus: Quando a base de suporte entende-se que o espaço do ônibus possui uma característica que altera a organização do corpo para com sua base de suporte. Além do corpo se deslocar dentro do ônibus, o próprio ônibus se desloca no espaço, alterando sua relação com a força de gravidade nesse espaço. Por esse motivo a situação passa a ser: mãos e pés como base de suporte, os dois precisam sempre estar como apoio, pelo menos uma mão e um pé, caso contrario há pouca chance de se manter na vertical. Quanto ao olhar aparece a falta de atenção ao espaço, um olhar que é dirigido ao ambiente externo (fora do ônibus), um olhar “vazio” – parece não estar, ou um olhar que foge ao ser percebido. A terceira propriedade é a ação de aproximação entre os corpos que gera uma situação de frontalidade entre eles. Estar de frente um para o outro não é a primeira escolha. Os corpos se acomodam lado a lado ou de costas um para o outro. Quanto mais aglomerado, mais difícil são as escolhas.
Hoje percebo cada vez mais como essas propriedades se alteram no meu corpo e constroem dança.Aprofundar essa questão considerando corpo/ambiente é o que me interessa no momento, experimentando elementos emergentes de do ambiente ônibus, reconhecendo como meu corpo se organiza, e como lido com eles em outro ambiente. Encontrando problemáticas quanto a gravidade, peso, deslocamento, aproximação, e a formulação de novos corpos ambientes
______
GREINER, Christine. O corpo: pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Editora Annablumme, 2005.
______
ESSE ESTUDO VEM SENDO EMBASADO A LUZ DOS TEÓRICOS:
CHRISTINE GREINER
FABIANA DULTRA BRITTO
JORGE ALBUQUERQUE VIEIRA
CIANE FERNANDES
GLADIS TRIDAPALLI
HELENA KATZ
JUSSARA SETENTA
ZYGMUNT BAUMAN
Loana Campos - junho de 2009

Onde mesmo elas se encontram???
ResponderExcluirLOA querida
esse nome é provisório??? quero dizer que ja adoro, pensar nesses corpos que utilizam os onibus como se fossem essas bolhas... e ai penso nessa dificuldade dela se encontrarem, acho que o que você aborda na questão do olhar é um fator delas ficarem cada vez no mesmo espaço e não se encontrarem de fato.
adoro quando você fala do Olhar...
bjsssss companheira TAMUJUNTO.