domingo, 21 de junho de 2009

Patinação enquanto Arte



Arte...é realmente uma questão muito ampla, assim como o que é vídeo-dança, o que é linguagem, ou mais “simples” ainda O QUE È DANÇA???

Conceitos e questões que surgiram com uma certa intensidade de uns tempos para cá. Mas a maior de todas, a que vem me levando para inúmeros lugares é: como tratar da patinação artística enquanto arte???

A patinação artística possui um lugar comum no mundo: o do esporte, ou o de espetáculo/show, que por sua vez, por se tratar de um esporte, não significa que não estamos lidando com artistas. Sim, patinadores também podem ser artistas, tudo é uma questão de ponto de vista... ponto de vista? = então estamos falando agora de olhar. O corpo de um patinador requer um condicionamento físico de atleta, e psicologicamente forte – a mente de um atleta, para encarar competições e ter sangue frio nos momentos de extrema exaustão/tensão. Mas a maneira com que tem que lidar com sentimentos (expressividade) qualidade de movimento e presença em cena são indícios de um trabalho desenvolvido no lado artista de cada atleta.

O problema para os tipos de trabalho que tem sido desenvolvidos no mundo da patinação é o OLHAR. Não que seja um real problema, mas sim, uma escolha: A de assumir coreografias com caráter competitivo; ou a tentativa de produzir trabalhos artísticos desvinculados de competições.

Uma hipótese: a dificuldade de se desvincular dos rastros das competições na hora de produzir seja espetáculos, shows ou trabalhos coreográficos que não estão preocupados com a competitividade, mas sim com a capacidade de se desenvolver uma idéia e investir na mesma, está justamente na maneira com que as organizações se estabelecem (mais uma vez repito: o OLHAR), na maneira de olhar, tanto de quem produz quanto de quem prestigia. O lugar comum ainda é o do olhar critico com uma analise avaliativa sobre uma obra proposta, a forma de olhar para um trabalho e a forma de criar, de olhar para a sua criação sabendo O QUE e COMO será avaliada.

Tudo isso não é nenhum grave problema, é como as relações se estabelecem simplesmente pelo fato da patinação vir desse lugar de competição, da preocupação com a técnica e execução perfeita de linhas, formas, flexibilidade, spins (giros), saltos, domínio e super velocidade.

Quando percebi que todas essas questões já estavam impregnadas na patinação e que minha real pesquisa não está na estética, vi que minhas questões se dão na maneira de abordagem de uma linguagem. Transição do esporte para a arte. Como lidar com um esporte, tratar de um “conceito” (patinação artística) de outro modo: na linguagem da arte, que vai se preocupar com outras questões?

Agora sim os levo para outras subquestões que permeiam nesse outro lugar:

Como o corpo se resolve no espaço?
Que estados corporais cada espaço promove?
Como se dá a escolha de espaços não convencionais? (olhar)
Elementos: imagem, câmera olhar (escolha) na relação com o espaço, corpo mídia, sons, patins, ilusão...

Mas tudo isso é pano pra manga para uma OUTRA discussão... vamos deixar para a próxima enquanto todas essas questões vão me transformando e enlouquecendo!!!


Jéssica Gardolin

Um comentário:

  1. Foi bem rico olhar para a última configuração do trabalho da Jéssica pois percebo maior refinamento acerca do que ela realmente deseja falar.
    Fragmentos do corpo,exploração do(S) espaço(s), velocidade e ilusão...são palavras presentes e marcantes dentro da proposta.
    Reconheço princípios, como por exemplo o deslizar e sinto vontade de ve-la explorando de outras formas no corpo/espaço...quais são as faces do deslizar??

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