"... Nossos olhares, foram e estão sendo educados e, se queremos transceder as restrições que os modulam e modelam, é preciso refletir sobre outras possibilidades de educação para além das que cotidianamente somos sujeitos e sujeitados, possibilidades essas que nos permitam reinventar nossos modos de ver, de ouvir, de sentir, de pensar de viver e conviver."- Andréa Vieira Zanella
Face tem como interese questionar a atual solidez perceptiva do ser humano, que desde que nasce aprende a olhar e entender objetos, pessoas, situações, estruturas e ações de forma fixa não se contestando de como seria a outa face daquele objeto- ação ou até mesmo a incapacidade de criar estratégias para aprender a ver o mundo de outras formas.
Outra questão abordada na pesquisa é a luz, que vem sendo entendida como aspecto coreográfico capaz de modificar e ser modificada pela cena; a relação entre sombra e luz está presente como mais uma possibilidade de seleção de partes que são recortadas, reconhecidas e iluminadas para serem observadas.
A partir das novas relações com a luz Face, como processo de pesquisa, vem testar as possíveis transformações que essas relações podem construir na dramaturgia cênica-corporal existente.
É de interesse também aprofundar o entendimento da relação entre observador e observado, durante toda a pesquisa há o cuidado de abrir possibilidades para o olhar e perceber o que interfere no corpo-movimento o fato de estar sendo observado.
Outro trabalho que também propõe estudar a observação é " Falam as Partes do Todo", da Cia. Dani Lima no qual a mesma coloca: " Me parece ainda mais urgente refletir sobre esta forma fundamentalista de ver o mundo como uma realidade bidimensional. Esta forma de ver que estabelece uma perspectiva parcial como a melhor, senão a única; que pretende encerrar o significado das coisas; que vê as versões como fatos, as partes como todo. Esta forma de ver que nos tenta com certezas, generalizações, explicações definitivas e fórmulas infaliveis".
Essa pesquisa direciona meu olhar para partes específicas do corpo, muitas vezes até esconde todo o corpo deixando a mostra somente uma partes, essas imagens me fazem questionar em relação ao que me interessa perceber num pequeno fragmento, ou então o que terá do outro lado que não posso ver; acredito que é nesse lugar que faço relação com Face.
E assim sigo... buscando relações, contruindo nexos e abrindo os olhos para ver de outros ângulos...
Aline Vallim
segunda-feira, 22 de junho de 2009
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Voce tem uma grande peça na mao, pois quem dança, pretende chamar atenção para algum lugar especifico e precisa ter alguma estratégia para conseguir fazer a platéia enxergar aquilo que escolhemos que vejam. O foco, a intensidade do movimento ou a própria luz sao ferramentas para fazer isso acontecer. O seu trabalho pode ficar muito rico nesse sentido porque se trata justamente do foco em questao que você escolheu que enxerguemos. TUdo tem mais de um lado. Podemos ver as coisas por várias faces e isso é maravilhoso, porque dessa forma temos opções e tudo pode ter uma solução dependendo de como nós olhamos para alguma situação. Nada pode ser tão ruim se soubermos enxergar aquilo de outras formas. É isso que eu tiro do seu trabalho para mim.
ResponderExcluirKarin CHaves