...Ha um consenso entre iluminadores, quase que como esquemas pré-estabelecidos, bailarinos devem ser iluminados por focos laterais para ressaltar o aspecto escultural dos corpos, descrever os movimentos nas dimensões de comprimento e profundidade.
De fato, a iluminação lateral proporciona tudo isso, mas ela é uma possibilidade e não uma receita.
A luz tem se aproximado cada vez mais de Face, e Face tem se construído a partir da relação com a luz, como diz Roberto Camargo "luz e cena podem ser entendidos como processos de comunicação c0-evolutivos".
Desde o momento em que a iluminação cênica entrou para ambientes fechados carregou consigo uma visão externalista, ou seja, era entendida como um elemento separado, como algo fora do processo de comunicação. Esse pensamento se fortificou no movimento naturalista, que passou a utilizar a iluminação a partir de uma concepção pictórica; como se a cena fosse um quadro ou imagem representativa da realidade e desta forma a luz obedecia as determinações da cena.
Com o passar do tempo novas possibilidades de se pensar a luz emergiram do ambiente, e é no movimento simbolista que a iluminação cênica passa a ser entendida como parte integrante da cena capaz de inventar continuamente e reciprocamente o espaço, construindo novas espacialidades, diminuindo assim o aspecto pictórico através da busca de uma luz mais viva para uma cena viva, percebendo-se que a luz trocava informações com a cena dialogando com ela no momento mesmo da performace.
É a partir desse pensamento que a cena de Face vem sendo construída, do dialogo entre corpo e luz e das possíveis possibilidades que possam emergir dessa relação . Criando assim novas espacialidades para que o publico possa observar corpo, movimento e situações de diferentes ângulos.
REFERÊNCIA:
CAMARGO, Roberto Gil. Luz e Cena: processos de comunicação co-evolutivos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Sobre Tramas e Tramóias
Comecei a perceber nos últimos momentos que era a hora de olhar para os rastros do caminho e fazer o exercício da reflexão, perceber tudo que já estava, que já é, o que tenho construido até aqui e assim poder dar encaminhamentos e finalizar alguns processos.
É necessário compreender que dentro da pesquisa etapas se finalizam, se tranformam em outras possibilidades de caminhos. Neste momento a criação se bifurca em dois processos que mesmo autônomos se complementam, fomando redes de troca. O exercício é tentar separar as funções, mesmo entendendo que os caminhos ainda se cruzam.
Comecei pesquisando o que me interessava dentro do trabalho á existente intitulado "embolação", a idéia era que fosse um estudo de caso, porém tudo foi se reconfigurando e ganhando outras possibilidades de existir. Escolhi então, com o auxilio de orientação a buscar dentro dessa proposta artistica uma questão que eu acreditava ainda necessitar de um processo de verticalização. Hoje alguns rastros ficam mais claros, lembro de escolher como objeto de investigação a "amarelinha", que em muito me interessava, mas eu não sabia ainda bem o por quê.
Era um momento simples dentro do trabalho, existiam muitos outros que a primeira vista pareciam mais interessantes para um aprofundamento, porém refletindo agora, consigo perceber que, talvez o que tenha chamado a atenção era a questão que se verificava com as crianças quando passavam pelo jogo. A amarelinha que ja era lugar comum, instituido com um fim ja conhecido e reconhecido por todos, que as vezes estimulava e outras vezes não. O que mobilizou a investigação foi a possibilidade de encontrar outras formas de complexificação do jogo, do espaço que poderia ser ressignificado, reinventar seus modos de existência na memória coletiva. Muitos corpos não se motivavam com a proposta do jeito que se apresentava.
Foi importante verificar e isso só consigue ser perceptível agora, o jogo cresceu, se desenvolveu, se complexificou, foi pra muitos lugares, sensações,construindo outros espaços e organizando um corpo preparado para estar, pronto para a vida, para tocar o mundo em outras versões, para estar na rua de um jeito nunca antes percebido.
Seguiu-se em frente, foram surgindo outras possibilidades, imagens que eram construídas durante a movimentação e investigação, surgiram animais, galinha, macaco, uma questão do corpo articulado, do pescoço que se move para caminhada poder acontecer, algo conectado, será que ela andaria se segurassem o seu pescoço? Talvez! Será que, se a cabeça não se organizasse com aquele movimento a galinha conseguiria mover outras partes? Questões que surgem no caminho. Seguindo além, vieram histórias, as pessoas contam suas histórias de infãncia, lembranças, relação com os modos de como brincavam, tudo foi sendo registrado pelos ouvindos, em cursos para professores, na secretaria de educação, em paranaguá, pessoas de diferentes idades que começavam a se lembrar de suas memórias, o que muito movia a criação, então segui em busca da construção que poderia ser elaborada a partir dessas memórias, que movimentos essas falas teriam, que corpo ocupariam e uma pergunta sempre batia no corpo, "e a linha?".
A linha da amarelinha começou a chamar atenção, como era focada a questão da linha dentro da pesquisa, o que ela significava, como alterava o espaço? Comecei a desconstruir o espaço tradicional da amarelinha, e o que ficava de tuda essa relação espacial tradicional, após todas as experimentações era a linha que ainda me movia, então achei que o trabalho tinha essa relação que se dava na direção da e com a linha. Linha da vida, dos desenhos no espaço, do traço da criança, do contorno e como a linha se relacionava com tudo no trabalho.
Comecei a acreditar que o nome do trabalho tinha que ter relação com a linha, busquei coisas como "AMAR é Linha" mas em nada se relacionava com o tipo de pensamento que se ordenava dentro do trabalho, foi então que surgiu a palavra "trama" tentei comê-la antropofagicamente e no dicionário construia sentidos, possuia forte relação com os fios do tecido que constróem uma rede, fios que se cruzam, tecido, textura, astúcia, enredo, conspiração, maquinação e tramóia, a relação com as histórias, linha do tempo, infância, fio da urdidura, que formam tecidos, teias, trama ou tramóia e as coisas começaram a fazer mais sentido, as pontas começaram a se encontrar, pontas dos fios se conectando e dando sentidos as idéias.
Acredito que a pesquisa está nessa lugar de reconfiguração cênica, na organização de uma dramaturgia que ja existe, mas que se lapida com cuidado. Estou TRAMANDO coisas!
Clayton Leme - Pesquisador 4 ano - Dança
Evolução

Foi muito gratificante participar da mostra com a apresentação prática dos artigos, pois vê-se a evolução de todos em relação aos seus trabalhos.
Para mim, poder mostrar os estudos e as relações envolvidas na dança de salão e perceber que os meus colegas compreendem melhor a cada vez que apresento é muito importante.
Apesar desse quarto ano ter divergências de pensamento e linguagens na dança, sinto que os trabalhos estão sendo bem aceitos e respeitados. Assim como quero abrir o campo de visão dos meus colegas para compreenderem outros tipos de dança, eles abrem o meu me mostrando coisas que eu nunca teria pensado em pesquisar.
Porém acho que ainda falta definir mais a parte artística e expressiva dos trabalhos, pensar no comprometimento com o público que assiste, no que para ele seria importante conhecer a sua pesquisa, porque este nem sempre vai em busca só do científico mesmo sabendo que se trata de trabalhos acadêmicos.
Mariana Reis
Informações inconscientes.....

....caminhamos, corremos... são inúmeros músculos agindo sincronicamente. Se pretendêssemos conscientemente movimentar cada um desses músculos ao correr, por exemplo, imediatamente cairíamos. Respiramos, e, poucas pessoas sabem com exatidão quais músculos externos e internos deveriam mover. Quem é capaz de movimentar conscientemente cada músculo da língua, dos lábios, do pescoço, dos pulmões, do peito... que intervém na fala? Mesmo sem estarmos conscientes desses movimentos, eles acompanham nossos corpos em todas as atividades.
Para Ferraz (1999), a consciência do corpo passa a se fixar na energia, nas articulações, apenas nos movimentos, não tendo envolvimento com as emoções ou pelas imagens de uma narrativa, desvencilhado, portanto a normal situação em que a consciência governa e embasa a consciência do corpo. Para que a consciência do corpo emerja é necessário descentrar a consciência, fazer com que esta perca seus pontos de referência e partida habituais. Este ponto é apenas dos tantos relevantes, levando em consideração que o ato da consciência é a sua expressão e que não é só o ato de consciência que provoca a "mímica" externa, mas também dá-se o inverso: a "mímica", o gesto, a atitude, etc. tendem a provocar a idéia, a imagem, o sentimento... Ou melhor, provoca-os no inconsciente e daí tende a surgir no consciente e vice e versa caracterizando fases cíclicas destas trocas de informações.
Vemos então de que modo José Gil produz um conceito de “inconsciente” “desumanizado” e, por assim dizer, “exterior”, um conceito de inconsciente além do humano, além da hierarquia do organismo e do encontro do interior/exterior. E isso em vários sentidos: como inconsciente não mais remetido a subjetividade banal, mas como um inconsciente revertido sobre a pele, interface interior-exterior, espaço contínuo de fluxo de energias libertadas.
O que emerge desta questão é um pensamento muito fértil e potente sobre o corpo, sobre o movimento, a dança, a arte, capaz de fertilizar e muito os horizontes em relação a este corpo.
Referencias
FERRAZ, Maria. Percepção, subjetividade e corpo: do século XIX ao XXI, 1999.
GIL, José. Movimento total – o corpo e a dança. Lisboa: Relógio D’Água, 2001.
Para Ferraz (1999), a consciência do corpo passa a se fixar na energia, nas articulações, apenas nos movimentos, não tendo envolvimento com as emoções ou pelas imagens de uma narrativa, desvencilhado, portanto a normal situação em que a consciência governa e embasa a consciência do corpo. Para que a consciência do corpo emerja é necessário descentrar a consciência, fazer com que esta perca seus pontos de referência e partida habituais. Este ponto é apenas dos tantos relevantes, levando em consideração que o ato da consciência é a sua expressão e que não é só o ato de consciência que provoca a "mímica" externa, mas também dá-se o inverso: a "mímica", o gesto, a atitude, etc. tendem a provocar a idéia, a imagem, o sentimento... Ou melhor, provoca-os no inconsciente e daí tende a surgir no consciente e vice e versa caracterizando fases cíclicas destas trocas de informações.
Vemos então de que modo José Gil produz um conceito de “inconsciente” “desumanizado” e, por assim dizer, “exterior”, um conceito de inconsciente além do humano, além da hierarquia do organismo e do encontro do interior/exterior. E isso em vários sentidos: como inconsciente não mais remetido a subjetividade banal, mas como um inconsciente revertido sobre a pele, interface interior-exterior, espaço contínuo de fluxo de energias libertadas.
O que emerge desta questão é um pensamento muito fértil e potente sobre o corpo, sobre o movimento, a dança, a arte, capaz de fertilizar e muito os horizontes em relação a este corpo.
Referencias
FERRAZ, Maria. Percepção, subjetividade e corpo: do século XIX ao XXI, 1999.
GIL, José. Movimento total – o corpo e a dança. Lisboa: Relógio D’Água, 2001.
_______________________________________________
Rafaela Bolinelli Goede
Aspectos SOB um OLHAR
.jpg)
"SOB" um OLHAR
Imagem gerada por um corpo estendido.
Relações que constroem um conceito de imagem gerada a partir de extensões corporais. Entretanto, tais relações apenas se tornam plausíveis na instancia da co-existência.
Extensões corporais que dialogam entre si e se entrecruzam:
Patins – promotor de possibilidades de movimento;
Espaço – alteração câmera/corpórea;
Mídia – direcionamento do olhar [espectador].
É importante ressaltar que as relações se alteram na medida em que se entrecruzam, gerando possibilidades que só se fazem presentes sob o aspecto desta relação. Cada vez que se olha para essa tríade, novas opções artísticas surgem, talvez essa pesquisa não tenha um produto artístico final (pelo menos por agora), o que faz meu interesse aumentar ainda mais pela pesquisa....
Os Patins, enquanto signos carregam fortes laços com a significação da patinação artística, embora essa linguagem não seja abandonada por completa, seus reais valores se modificam (e estes sim são deixados de lado), está se investigando as possíveis relações deste elemento/objeto que se confunde com o próprio corpo, pois não está como algo ‘a mais’ em um corpo que dança, mas sim uma coisa só, uma extensão corporal, que alonga, que faz parte do todo. Alteram-se os modos de olhar, com o auxilio da mídia (a câmera, a computação digital) que tira o olhar do espectador enquanto observador, aquele que só assiste de fora, e o trás ‘sob’ aspectos de um novo olhar, desta vez, direcionado. O espaço está intrinsecamente em co-relação com o corpo e o patins, uma vez que extrai a dança do lugar espetáculo e os patins do show de patinação para o ‘urbano privado’, a coexistência (conjunta) desses três elementos sugerem sensações ao espectador, que sai do bi para o tridimensional.
Imagem gerada por um corpo estendido.
Relações que constroem um conceito de imagem gerada a partir de extensões corporais. Entretanto, tais relações apenas se tornam plausíveis na instancia da co-existência.
Extensões corporais que dialogam entre si e se entrecruzam:
Patins – promotor de possibilidades de movimento;
Espaço – alteração câmera/corpórea;
Mídia – direcionamento do olhar [espectador].
É importante ressaltar que as relações se alteram na medida em que se entrecruzam, gerando possibilidades que só se fazem presentes sob o aspecto desta relação. Cada vez que se olha para essa tríade, novas opções artísticas surgem, talvez essa pesquisa não tenha um produto artístico final (pelo menos por agora), o que faz meu interesse aumentar ainda mais pela pesquisa....
Os Patins, enquanto signos carregam fortes laços com a significação da patinação artística, embora essa linguagem não seja abandonada por completa, seus reais valores se modificam (e estes sim são deixados de lado), está se investigando as possíveis relações deste elemento/objeto que se confunde com o próprio corpo, pois não está como algo ‘a mais’ em um corpo que dança, mas sim uma coisa só, uma extensão corporal, que alonga, que faz parte do todo. Alteram-se os modos de olhar, com o auxilio da mídia (a câmera, a computação digital) que tira o olhar do espectador enquanto observador, aquele que só assiste de fora, e o trás ‘sob’ aspectos de um novo olhar, desta vez, direcionado. O espaço está intrinsecamente em co-relação com o corpo e o patins, uma vez que extrai a dança do lugar espetáculo e os patins do show de patinação para o ‘urbano privado’, a coexistência (conjunta) desses três elementos sugerem sensações ao espectador, que sai do bi para o tridimensional.
Jéssica Gardolin
Quando e porque mostrar?
Essa pergunta tem insistido um pouco em minha cabeça esses últimos tempos, principalmente depois da Amostra de Dança da FAP. Indagações do tipo: "por que faço isso?", "o que me motiva?", "pra quê?", "será que é interessante?", "será que devo expô-lo ao mundo", "qual a relevância desse trabalho?". Questionamentos que ficaram mais latentes com a Amostra.Entendo que o evento é para discutirmos e analisarmos pensamentos referentes a dança e seus procedimentos. Entendo que hoje em dia dentro de nossa faculdade há preocupação e interesse em direcioná-la ao universo científico-acadêmico. Mas minha inquietação é: E A ARTE DA DANÇA? E A EXPRESSIVIDADE DA DANÇA? E A COMUNICABILIDADE DA DANÇA? E A SENSILIZAÇÃO DA DANÇA? Não sei, posso estar sendo antigo, ultrapassado, antiguado, mas sinto falta dessa preocupação, dessa discussão, desse norte; e penso: será que com essa história de científico não estamos correndo o risco de perder a arte, nos tornando frios, calculistas, tecnicistas, intelectualóides? Não confundam o meu discurso. Não estou dizendo que não devemos racionalizar, ou intelectualizar, ou concientizar a dança, mas que não devemos deixar de atentar que dança é arte, e é abstrata, e faz parte das ciências humanas, e não é algo concreto como uma ciência exata fria. Poderia estar falando do meu processo e tal, mas me parece irrelevante a que realmente importa. A DANÇA!
Ps. não é nenhuma crítica ao trabalho dos meus colegas de curso e profissão. É apenas um parecer, uma opinião, no que concerne a forma de articulação de conhecimento da nossa faculdade.
Heleno Moura
domingo, 27 de setembro de 2009
Falas de Corpo, Som e Movimento!
Relação dessas diferentes linguagens dentro de uma percepção de corpo como instrumento!Partindo do diálogo entre esse corpo, o som e o movimento que ele proporciona.Articulando jogos que vem através da improvisação e da escuta corporal dentro de um grupo de quatro pessoas.
O processo de pesquisa se objetiva a mostrar a relação entre a escuta do som que gera uma motivação, promove uma escuta do corpo e o desenvolvimento dessa relação estímulo/ação. A pesquisa aponta o jogo entre corpo, som e movimento que se demonstra nessa experiência e provoca a comunicação entre estes dois estímulos.
Nesses últimos mêses de estudos e experiências para a etapa final...O fechamento da célula se forma e ganha vida nesses ultimos dias!!!
E o processo continua...agora no como costurar tudo que tenho e partir para uma finalização objetiva do meu tema principal!?!
Greyce Lucca Aita
O processo de pesquisa se objetiva a mostrar a relação entre a escuta do som que gera uma motivação, promove uma escuta do corpo e o desenvolvimento dessa relação estímulo/ação. A pesquisa aponta o jogo entre corpo, som e movimento que se demonstra nessa experiência e provoca a comunicação entre estes dois estímulos.
Nesses últimos mêses de estudos e experiências para a etapa final...O fechamento da célula se forma e ganha vida nesses ultimos dias!!!
E o processo continua...agora no como costurar tudo que tenho e partir para uma finalização objetiva do meu tema principal!?!
Greyce Lucca Aita
Assinar:
Comentários (Atom)
