segunda-feira, 30 de março de 2009

A Função da Arte/1


Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
Me ajuda a olhar?

Eduardo Galeano - O livro dos Abraços - pág 15
texto citado em aula...

Instruções para um gesto político


Pode parecer uma tarefa simples, porém colocar suas idéias no mundo é algo mais complexo do que se imagina. Compreender essa ação como posicionamento requer alguns ajustes motores. A percepção se amplia e se conecta com o ambiente/questão, a respiração toma outras proporções, o corpo como um todo se redimensiona no espaço/tempo, a boca entreabre permitindo a troca do ar promovendo o trânsito mais consciente e contínuo dentro-fora. Tudo se amplia nada se inicia, já era, já estava, já fazia parte, somente percebo conscientemente.
As musculaturas dos membros inferiores se contraem e se alternam, o centro gravitacional, localizado abaixo do umbigo se fortalece, flerta com o relaxar e tonificar devido ao trânsito intenso e fluido de oxigênio. As mãos articulam dedos, falanges, pele, suor, o toque. Os dedos da mão direita se agitam, negociam entre si e escolhem; um dedo toma a frente para indicar, cujo nome o justifica, os outros se amontoam carinhosamente e atenciosamente, se auto-organizam atrás, oferecendo suporte a atitude, ao posicionamento, a respiração potencializa a ação, os olhos se articulam num varrer o espaço, conectados com o ouvir o mundo.
Cotovelos se flexionam, punhos se fortalecem e elevam-se rasgando o ar até as alturas, ombros giram ao seu eixo possibilitando a liberação e ganho de espaço, a ocupação e dinamização de espaço. Na boca a saliva se aglomera, percebendo a sua importância diante do todo, se agita e desliza pela garganta, como quem entra para permitir a saída de outro, de algo, de argumentos, como quem lubrifica, favorece o caminho. As cordas vocais se agitam, produzem música, sons intrínsecos ainda, belos sons da argumentação que se articula com a organização dos dedos que ganham o céu, que apontam para o céu, o espaço infinito, querendo se redimensionar no tempo/espaço.
Os pulmões inflados, articulados com as mãos, panturrilhas, interno e externos da coxa, que flertam entre o relaxamento e tonificação, abdômen, articulações, órgãos, fluídos, dedos que apontam e ganham espaço, artérias que se dilatam, troca de ar pela boca entreaberta, líquidos que fluem e ocupam todas as direções. Um silêncio, espasmos, um silêncio; um turbilhão ganha o mundo, aceleração do tempo/espaço:
Eu quero falar!


Clayton Leme


Proposta realizada em aula pelo Prof. Gian Martins em Composição Coreográfica II
Criar instruções para...

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Medo

Certa manhã, ganhamos de presente um coelhinho das índias. Chegou em casa numa gaiola. Ao meio dia, abri a porta da gaiola.
Voltei para casa ao anoitecer e o encontrei tal e qual o havia deixado: gaiola adentro, grudado nas barras, tremendo por causa do susto da liberdade.
Eduardo Galeano - O Livro dos Abraços
Olas pessoas,
Estava aqui e achei este pequeno aconchego, achei que muitos de nós estavamos precisando destas palavras.
Clayton Leme

segunda-feira, 23 de março de 2009

Agora é Quarto Ano!!!!


Temporada de Criação e Pesquisa

Declaro aberta a temporada de postagens de nossas bugigangas. Que possamos nos sentir à vontade para compartilhar nossas angústias e delicias de pesquisar.
Desejo um bom tempo de investigação e criação à todos.
Clayton Leme
Curitiba, 23 de Março de 2009.